Milho pode sofrer retrocesso tecnológico na safra de verão
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sexta-feira, 25 de agosto de 2000
Telma Elorza De Londrina 
A 15 dias do plantio de milho, as cooperativas do Paraná têm registrado uma grande procura de sementes, o que confirma as previsões de aumento na área na próxima safra. Isso, porém, não significa um aumento na produção. A falta de dinheiro dos produtores deve colocar em risco a produtividade. já que a maioria poderá optar por sementes de baixa tecnologia.
O produtor está descapitalizado e investindo no milho de baixa e média tecnologia, que são materiais genéticos mais em conta, e quase nada em insumos, explica o agronômo Márcio Pureza Paixão, gerente da divisão de suprimentos da Valcoop, em Londrina.
Segundo o agrônomo, a quebra de 30% na safra de soja no verão, mais a perda de 80% da produção do milho safrinha e a incógnita nas perdas do trigo, deixaram os produtores sem dinheiro para investir e apostando o pouco que sobrou no milho.
Na Corol, a situação é melhor. A maioria dos cooperados de Rolândia aproveitou o plano de vendas com pacotes fechados lançado entre o final de julho e começo de agosto, e adquiriu sementes e insumos. De acordo com o departamento de vendas da cooperativa, até 7 de agosto, o milho representou 30% da comercialização e a soja 41%.
O diretor executivo da Apasem, Eugênio Bahatch, acredita que toda a produção paranaense de sementes de milho 36 mil t vai ser comercializada. O preço do milho aumentou e está convidativo. Não vai sobrar, garante.
Bahatch confirma que a procura maior está sendo pelas cultivares de baixa tecnologia mas acredita que isto é apenas emergencial e que não significa menor produtividade. Nós temos cerca de 2,8 mil ha de área com milho. Toda essa área não é plantada só com alta tecnologia, alguns produtores usam até milho variedade. Então não é pelo fato de se usar baixa tecnologia que a produção vai ser menor, defende. Segundo ele, a região de Campo Mourão já não tem mais sementes de alta tecnologia porque a procura foi grande.


