Milho entra mais cedo no mercado
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quinta-feira, 31 de janeiro de 2002
Oswaldo Petrin Reportagem local 
Dois fatores farão a diferença na formação de preço do milho nesta safra de verão, impedindo que ocorram altas de grande impacto: 1) As indústrias vão trabalhar com baixo estoque, comprando gradualmente, da mão para a boca. 2) O milho do Mato Grosso do Sul começa a abastecer mais cedo as demandas de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e, inclusive, o Paraná. Já existem contratos com empresas de Cascavel, Maringá, Ponta Grossa e Apucarana, a preços que estão levando em conta as perdas da safra gaúcha pela seca.
O mercado se pautará por outras variáveis - favoráveis -, como as exportações do grão, que foram decisivas na sustenção do preço ano passado. Ou adversas como o aumento nos custos do transporte, em mais de 15% este ano.
As exportações, em menor volume este ano (cerca de 4 milhões de toneladas contra 7,2 milhões de t ano passado), serão mantidas para garantir o espaço conquistado pelo milho da safra 2000/01. Além da exportação do milho in natura, o prognóstico da demanda por parte da avicultura e suinocultura, por exemplo, é favorável a uma boa comercialização, puxada pela crescente exportação de frangos e suínos.
O preço do milho, R$ 11,20/saca nesta semana, na boca da colheita, já chegou a R$ 11,80, dias atrás, em Dourados, influenciado pelas informações sobre seca no Rio Grande do Sul. Em meio a esse quadro - que é favovável a um mercado aquecido, e comprador, caracterizado pelo equilíbrio entre oferta e consumo nacionais - o corretor Carlos Ronaldo Dávalo, da Granus, de Campo Grande, acrescenta um fator adverso aos produtores: o Mato Grosso do Sul não terá espaço suficiente para guardar o produto à espera de preços. Assim é previsível que suas ofertas pressionem os preços mais cedo.
A soja, sem um preço que convença neste momento - apesar do grande volume de vendas antecipadas, cerca de 30% -, vai aguardar o melhor momento para o fechamento de negócios no físico. Enquanto espera ocupar o lugar do milho. O único estado que tem boa estrutura armazenadora para o milho é São Paulo. O Paraná não tem a melhor estrutura de estocagem, mas sabe comercializar, observa Dávolo.
O preço do milho na região Oeste do Paraná - um referencial de mercado - bateu durante vários dias nos R$ 11,80 (R$ 12,00 em Ponta Grossa) num momento em que a quebra motivada pela seca gaúcha já havia sido absorvida. R$ 9,50/saca base Dourados (MS), pagamento à vista, remete para R$ 11,50 em Toledo (preço da Sadia, início da semana). Outro indicador: R$ 13,00, em favereiro, no Porto de Paranaguá.
Com base nesse cenário, Carlos Dávalo, prevê uma comercialização dinâmica do milho, caracterizada pela liquidez gradual, sem grandes contratos, porém com oferta permanente. A expectativa de que a soja consiga quebrar a inércia do mercado internacional, vai levar o produtor a liquidar primeiro o milho.


