Milho e feijão podem ter superoferta, diz técnico
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sexta-feira, 06 de outubro de 2000
André Siqueira Agência Estado 
O excesso de ânimo dos agricultores em relação aos altos preços dos produtos que tiveram a última safra prejudicada pela geada pode levar a um excesso de oferta logo no início de 2001. O alerta é do professor da Faculdade de Economia e Administração da USP, Fernando Homem de Mello, que defende a necessidade de um acompanhamento constante dos preços de produtos como o milho e o feijão, para que o governo possa intervir no mercado, se os preços despencarem.
A regularização da entrada das chuvas, se for confirmada, é uma ótima notícia, afirma Mello. Mas a antecipação da entrada da safra do milho e a grande oferta esperada preocupam, pois podem levar a uma queda nos preços.
Para o economista, o agricultor tem consciência do risco de superoferta, mas aposta na antecipação da safra de verão na tentativa de pegar o final da entressafra, com colheitas entre o fim de dezembro e o início de janeiro, quando os preços ainda devem estar altos. O governo deve mostrar uma política agrícola eficaz, capaz de liberar verbas se os preços atingirem o nível mínimo de comercialização, que hoje está em R$ 7,10 por saca, diz. Atualmente, a saca de 60 quilos de milho está sendo comercializada a R$ 13,30 no interior de São Paulo e, segundo Mello, este preço pode subir nas próximas semanas, mas depois tende a entrar em queda.


