Milho deve ficar em US$ 4 por bushel
Embora o estoque mundial de milho esteja em um nível mais confortável que o da soja graças à supersafra norte-americana em 2013/14, não se espera um recuo abaixo de US$ 4 por bushel em Chicago. "Pode até acontecer, mas não sei se fecha a conta", diz Daniel DÁvila, da corretora Newedge, de Nova York. Os preços do cereal caíram quase pela metade em relação à máxima de US$ 8,4375 por bushel registrada em 10 de agosto de 2012 e, conforme Anderson Galvão, da Céleres, já estão perto do custo de produção dos agricultores mais eficientes nos EUA. "Como caiu bastante, não haverá aumento expressivo de oferta e a demanda deve aquecer", comenta Galvão.
Fábio Meneghin, da Agroconsult, prevê que as cotações internacionais do milho devam se recuperar somente a partir de 2015, mas adverte que a proposta da Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA, na sigla em inglês) de reduzir a mistura obrigatória de etanol na gasolina neste ano pode mudar toda a conjuntura de mercado. A EPA propôs em novembro uma mistura de 15,2 bilhões de galões, 2,94 bilhões de galões (11,11 bilhões de litros), ou 16%, abaixo da meta de 18,15 bilhões de galões estipulada em 2007.
"Ao reduzir em 11 bilhões de litros o mandato, mais ou menos 16 milhões de toneladas de milho deixariam de ser processadas e isso causaria uma revolução no mercado", diz. Se aprovada a revisão, Meneghin vê possibilidade de preços menores que US$ 3 por bushel na Bolsa de Chicago, o que não acontece desde outubro de 2006. "Isso derrubaria tanto o milho que a soja obrigatoriamente teria que cair", completa. Apesar dos temores sobre o impacto que a medida terá no consumo de grão pelas usinas, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) elevou em dezembro sua projeção do uso de milho para produção do biocombustível de 4,9 bilhões de bushels (133,36 milhões de toneladas) para 4,95 bilhões de litros (134,73 milhões de toneladas).
Açúcar
Os preços internacionais da commodity, que acumularam perda de quase 21% em 2013, continuarão pressionados em 2014, refletindo o excedente global e o enfraquecimento do real ante o dólar, que avançou 15% em 2013. Analistas preveem que os contratos do açúcar negociados na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) oscilem em torno de 400 pontos no ano, entre mínima de 15 centavos de dólar e máxima de 19 centavos de dólar por libra-peso (cents/lb), intervalo observado em 2013. "Ainda temos muitas origens para fixar, e qualquer alta acima de 17,50 cents/lb, 18 cents/lb pode ser motivo para vendas", comentou Michael McDougall, vice-presidente da corretora Newedge, em Nova York.
Café
Depois de cair quase 50% em dois anos, as cotações futuras do grão arábica na Bolsa de Nova York podem interromper a trajetória de queda e se manter nos atuais níveis, entre 110 cents e 120 cents por libra-peso. A avaliação é do pesquisador Celso Luis Vegro, especialista em café do Instituto de Economia Agrícola (IEA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. "Vão ficar oscilando nessa faixa, sem possibilidade de ganho expressivo", diz. Vegro considera que o excedente global de arábica, de 4 milhões de sacas de 60 quilos aproximadamente, não é tão grande, e o mercado está se ajustando. O robusta valorizado tem levado a indústria a utilizar mais grãos arábica, mesmo que de menor qualidade, porque estão mais baratos em relação ao robusta. Isso deve dar suporte às cotações. (G.M. e J.R.G./A.E.)





