São Paulo Na contramão da tendência de queda de área cultivada, esperada para outros grãos, os produtores devem ampliar o plantio de milho na safra 2005/2006. A avaliação é consensual entre analistas agropecuários, que só divergem quanto à extensão que a área plantada irá expandir.
O aumento na produção de milho ocorre após a frustração na safra anterior. Em outubro, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) previa que a produção total do País atingiria 42,90 milhões de toneladas. Em maio, o número já havia caído para 35,89 milhões de toneladas. O clima adverso provocou uma perda de 16,34% na projeção inicial.
Por conta disso, o analista Glauco Carvalho, da consultoria MB Associados, diz que o milho será uma das exceções num quadro de redução de área para a produção de grãos. Por causa da forte quebra de safra deste ano, a área deve crescer 3%, para 12,2 milhões de hectares na soma das duas safras (verão e safrinha). Segundo Carvalho, a alta dos preços dos insumos impede um crescimento maior da área plantada. Essa cultura depende muito de fertilizantes derivados do petróleo (os nitrogenados), cujos preços subiram bem no ano passado e tiveram leve recuo este ano, muito mais acanhado do que a queda do dólar. ''Afinal, os preços do petróleo subiram em dólar'', lembra Carvalho.
Para André Pessôa, sócio-diretor da Agroconsult, o milho deverá registrar um aumento de plantio nesta safra de verão. Pessôa estima que sejam semeados 9,807 milhões de hectares, aumento de 5,4% sobre 2004/2005. A Agroconsult prevê a colheita de 32,2 milhões de toneladas, 17,4% acima do colhido na safra passada. O destaque é o aumento de área por parte de produtores que usam tecnologias mais avançadas. ''É simples, a quebra de safra de milho foi muito elevada e isso vai atrair mais plantio'', diz o analista.
Mas Pessôa alerta que a escassez de crédito ao produtor poderá inibir a atividade. ''Como os produtores estão endividados e a próxima safra indica uma rentabilidade muito apertada, os financiadores vão limitar os recursos'', diz. ''Afinal, com juros reais de 15% ao ano, fica muito arriscado para quem empresta dinheiro. Por isso, mesmo que o produtor queira manter a área, terá dificuldade em custear a compra dos insumos''.
O analista Leonardo Sologuren, da consultoria Céleres, concorda em que o cenário de crédito é complicado, mas observa que os problemas são maiores no Centro-Oeste, segunda maior região produtora de milho.
''Os agricultores têm pacotes de financiamento de custeio da indústria de insumos para plantar soja, o que não é o caso do milho'', diz. ''Como muitos produtores da região investiram pesado em máquinas e compra de terras, é difícil que tenham recursos próprios para plantar milho''.

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