Milho da Embrapa não é utilizado no Estado
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quarta-feira, 11 de junho de 2003
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
Maior produtor nacional de milho, o Paraná não tem acesso às sementes desenvolvidas pela Embrapa Milho e Sorgo, de Sete Lagoas (MG). De acordo com o pesquisador Jason de Oliveira Duarte, da área de economia agrícola da empresa, o mercado estadual é dominado por duas grandes multinacionais. ''Fica difícil disputar'', afirmou.
O problema de depender apenas das multinacionais é que elas podem, de uma hora pra outra, suspender a produção de sementes e apenas importar cultivares que talvez não se adaptem às características brasileiras. ''É uma situação hipotética, mas pode acontecer. Por isso, a Embrapa tem um programa de desenvolvimento de sementes'', comentou.
A demanda do Paraná, segundo Duarte, é por sementes de alta tecnologia. ''A Embrapa começou a atuar nesse segmento há apenas dois anos'', revelou, acrescentando que já existem híbridos BRS (marca dos produtos Embrapa) adequados para esse segmento. As sementes foram produzidas para altitude acima de 700 metros, garantem alta produtividade e resistência a pragas e dependem da utilização de tecnologia para se desenvolverem.
Independentemente do nível de tecnologia exigido, as cultivares da Embrapa têm custo até 20% inferior às similares de outras empresas. Na região Sul, porém, não há oferta suficiente para atender a todos os interessados, por isso, o preço das sementes BRS disponíveis acaba se igualando às de outras empresas.
O pesquisador comentou que o principal objetivo do programa de desenvolvimento de sementes é oferecer, aos produtores em sistema de baixa ou média tecnologia, a oportunidade de investir em tecnologias mais competitivas. Esse é um dos motivos que explica a presença das cultivares nos mercados onde as empresas privadas não têm interesse em atuar. ''Somos uma empresa pública e temos que exercer esse papel social'', disse.
No Paraná, por outro lado, ele afirmou que ''os produtores já andam com suas próprias pernas'', ou seja, utilizam bem a grande variedade de tecnologia oferecida pelas empresas privadas na região. Essa condição, para ele, ameniza o fato de não haver oferta das cultivares BRS no Estado.
Atualmente, a Embrapa possui contrato com 24 empresas produtoras de sementes de milho e 21 de sorgo. São 88 contratos para a produção e a comercialização de sementes de milho e 33 contratos que tratam da produção e da comercialização de sementes de sorgo, totalizando 121 contratos de licenciamento de produção de cultivares.
Os produtos BRS estão presentes em todos os nichos do mercado sementeiro nacional. Há variedades (como Assum Preto e BR 106), híbridos simples (BRS 1001 e BRS 1010), duplos (como BRS 201 e BRS 2223) e triplos (como BRS 3003 e BRS 3151) de milho.
No segmento de variedades de milho, os produtos BRS detêm mais de 73% do mercado na região Nordeste, mais de 58% no Sudeste e mais de 45% no Centro-Oeste do País. Além disso, mais da metade dos híbridos duplos de milho comercializados na região Norte e mais de 43% comercializados no Nordeste são da Embrapa. As empresas licenciadas para produção e comercialização das sementes são, na maioria, de porte pequeno e médio que, sozinhas, não conseguiriam permanecer no mercado.
Mais informações sobre as sementes da Embrapa Milho e Sorgo no site www.cnpms.embrapa.br


