Vânia Casado
De Curitiba
A abertura de linha de crédito nos Estados Unidos para o Brasil importar milho daquele país não altera o mercado na região Sul, a não ser indiretamente, na medida em que empresas do Nordeste façam opção pelo milho norte-americando, enquanto o Sul se abastece do milho argentino. Com isso, as empresas de integração, consumidoras de milho da região Sul, poderão ser favorecidas porque continuariam a importar milho da Argentina com mais folga.
Os estoques naquele país também estão no final e a importação dos EUA iria desafogar a pressão que as empresas brasileiras de todo o país estão exercendo para comprar o milho da Argentina.
A avaliação é do analista Antonio Carlos Lacerda, da corretora Safra Sul, de Ponta Grossa, ao comentar que ainda não houve interesse por parte das indústrias da região Sul em se beneficiar da linha de crédito aberta nos EUA. O país abriu uma linha de crédito no valor de US$ 155 milhões para financiar o interesse de importadores brasileiros. O prazo de pagamento é de 360 dias e juros internacionais. Esse volume de recursos dariam para internalizar entre 1,2 milhão a 1,4 milhão de t, dependendo do preço que o milho chega aqui no país. O milho argentino está chegando na região Sul a R$ 13,00 a saca.
As indústrias da região Sul também não manifestaram entusiasmo em importar o milho dos EUA. Pelo menos, as indústrias de integração paranaenses desconfiam da qualidade do milho norte-americano, disse o represetante da Avipar – Associação das Indústrias de Avicultura do Paraná - Ícaro Fiechter. Segundo ele, em importações de milho dos EUA efetivadas no passado recente a qualidade do grão era péssima e isso influencia diretamente na qualidade do frango. Ele insinuou que os EUA não têm interesse em exportar milho de boa qualidade para o Brasil porque ‘‘nós somos seus maiores concorrentes na exportação de frango. Por que eles iriam mandar milho de boa qualidade para nós?, perguntou.
As dificuldades de abastecimento que estão surgindo no mercado de milho é só o começo, disse o analista da Safra Sul, que prevê um déficit ainda maior no abastecimento do ano 2.000. Se esse ano, o país está importando até 1,5 milhão de t para equilibrar o consumo, no próximo ano deverá importar de 3 mil a 4 mil toneladas, dependendo do comportamento do clima que está prejudicando o desenvolvimento da safra de milho em todo o país, destaca.
Daqui para a frente, a situação começa a ficar crítica. A Conab já suspendeu os leilões de milho, abertos à participação de indústrias e cooperativas de todo o país, desde o último dia 2. Só vão ser realizados os leilões direcionados para os estados do Norte e Nordeste, Norte de Minas Gerais e Espírito Santo, informou a Conab.

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