Milhares protestam contra globalização em Madri
PUBLICAÇÃO
domingo, 19 de maio de 2002
Agência Folha 
Um dia após o final da 2ª Cúpula da União Européia, América Latina e Caribe, milhares de manifestantes se reuniram na praça de Atocha, em Madri, e andaram em direção à praça da Espanha, na região central da capital espanhola.
Na frente da passeata seguia o cartaz com os seguintes dizeres: Não à exploração da América Latina, contra a Europa do capital e da guerra. A manifestação antiglobalização foi convocada pelo Fórum Social Transatlântico, que reúne Colômbia, México, Brasil e Argentina. As Mães da Praça de Maio também participaram do protesto.
Não há consenso sobre o número de pessoas que estiveram na passeata. As autoridades falam em 10 mil participantes e os jornalistas presentes no local, em 50 mil. Já os organizadores estimam que 150 mil pessoas participaram do protesto.
Não só contra a globalização os manifestantes protestaram. Eles também pediram o fim do terrorismo de Estado, a abolição da dívida externa e maior solidariedade aos países da América Latina.
Anteontem, em Madri, o presidente Fernando Henrique Cardoso criticou a insensibilidade norte-americana ao não ajudar os países pobres da América Latina. As queixas de FHC foram feitas em conversa com o presidente mexicano, e captadas por microfones de televisão que estavam próximos aos dois. FHC disse que seu comentário foi normal, ao comparar o que ocorreu na Europa, onde os países mais ricos ajudaram os mais pobres.
Entre os símbolos mais presentes na manifestação estavam cartazes contra os EUA, bandeiras cubanas e palestinas e retratos de ícones como Fidel Castro, Che Guevara, Josef Stálin e Karl Marx.
Nos últimos dias, diversos debates, atividades culturais e movimentações contra a globalização foram realizados em Madri. Em nenhum foi registrado incidentes.
Ontem, um forte esquema de segurança envolveu a manifestação. O número de homens foi maior próximo aos restaurantes da rede McDonalds -a rede norte-americana é considerada um dos alvos prediletos dos protestos antiglobalização.


