A Milenia Agro Ciências, de Londrina, estuda a possibilidade de deixar de vender produtos aos agricultores com prazo de safra para evitar riscos de futuras desvalorizações cambiais. Cerca de 80% das vendas da Milenia são pagas com prazo de safra.
O presidente da empresa, Oswaldo Pitol, disse ontem à Folha que a Milenia reduzirá pela metade os investimentos previstos para este ano - que inicialmente eram de US$ 30 milhões - por conta das perdas com a desvalorização da moeda brasileira.
Caso resolva deixar de vender com prazo de safra, que varia de 8 a 12 meses, a Milenia deve adotar prazo de pagamento de cerca de 60 dias, sem juros. Pitol afirmou que decidirá pela mudança ou não até o final deste mês. ‘‘Todas as grandes empresas do setor estão examinando esta possibilidade. Por causa da concorrência, deveremos seguir a tendência do mercado.’’
Segundo Pitol, a Milenia também analisa outras possibilidades para não ‘‘penalizar o agricultor’’. ‘‘Estamos negociando linhas de financiamentos com vários bancos para tentar fazer operações em real. Mas, desta forma, os juros seriam um pouco maiores’’, disse. Atualmente, a empresa busca recursos no exterior para financiar agricultores. No prazo de safra, os juros são de 1% ao mês.
‘‘Por causa da desvalorização cambial, a empresa deve fechar o ano com um lucro de apenas US$ 2 milhões’’, calcula Pitol. A previsão inicial era de US$ 20 milhões. Ele disse que a orientação da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), que estaria estimulando os agricultores a não pagarem operações corrigidas, significa o ‘‘mesmo que dar um tiro no próprio p钒. ‘‘As empresas terão que fazer algo para se proteger’’.

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