O Ibama multou a Milênia Agrociências, de Londrina, em R$ 3,2 milhões. A multa refere-se à apreensão de duas cargas tóxicas importadas da China sem autorização. As cargas foram apreendidas na semana passada em Londrina e Paranaguá, após denúncia formulada pela empresa concorrente Nortox, de Arapongas. A denúncia foi protocolada junto ao Ibama e à Polícia Federal no dia 28 de julho. A Milênia foi procurada pela Folha, mas não retornou a ligação até o fechamento da edição.
O Ibama apreendeu 25 contêineres em Paranaguá no início da semana passada. A carga contém 450 toneladas de ácido que entraria na formulação de glifosato, um herbicida para lavouras de grãos em plantio direto. Esse final de semana, os fiscais do Ibama se dirigiram à empresa, em Londrina, e apreenderam mais 117,6 toneladas de ácido para glifosato e 40 mil litros de fórmula ‘‘tropi’’, que também entra na formulação do glifosato. A primeira apreensão gerou uma multa de R$ 1,2 milhão e a segunda apreensão, uma multa de R$ 2 milhões.
Prisão Além da multa, os diretores da Milênia podem ser enquadrados em descumprimento à lei federal sobre agrotóxicos, que prevê pena de reclusão de um a quatro anos. O Ibama avaliou a carga apreendida em R$ 6,6 milhões. Segundo o representante do órgão no Paraná, Luiz Antonio Mota Numes de Melo, operações como essa visam salvarguardar a saúde humana, principalmente daqueles que mantêm contato com esses produtos químicos, já que não se sabe seus efeitos sobre o ser humano e a natureza.
O presidente da Nortox, Osmar Amaral, disse que a Milênia vem fazendo essas importações irregulares desde meados de 1998. Só este ano, Amaral calcula que foram internalizados de forma irregular mais de duas mil toneladas de ácido para glifosato, ‘‘que daria para cobrir boa parte da área agricultável do País’’, destaca.
Amaral formulou as denúncias ainda nos ministérios da Agricultura e Saúde, órgãos que exigem a realização de mais de 70 testes para aprovação de cada produto final colocado na lavoura. O registro, conforme a lei exige um prazo de dois a três anos e um desembolso avaliado entre US$ 500 mil e US$ 1 milhão. ‘‘A Milênia acha mais fácil pagar propina do que se submeter a todo esse
processo’’, acusa.
Amaral disse que formulou a denúncia porque sua empresa vem sendo prejudicada com a importação irregular, que acaba baratando o produto final por parte da concorrência. ‘‘Se der algum problema em algum produto oriundo de lavoura tratada com o glifosato da Milênia, todos os demais glifosatos serão atingidos pela má notícia’’, lembrou.
Amaral disse que não teme retaliações e destacou a seriedade de sua empresa, a Nortox, fundada há 46 anos no norte do Paraná. Chegou a ser convidada, em 1995, pela Comissão Européia, para colaborar em ações de investigação de dumping na importação de material suspeito da China, que estava sendo utilizado na formulação de agrotóxicos, ‘‘como está ocorrendo agora’’.

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