Cerca de mil revendas de veículos das 6 mil existentes no País deverão fechar as portas nos próximos três anos. A necessidade de uma rede de concessionárias mais enxuta e mais rentável, aliada a uma provável redução do mercado no curto prazo, levará o setor a uma grande reestruturação, segundo avaliação do presidente do Conselho da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Waldemar Verdi Junior. Segundo Verdi, o encolhimento do número de lojas deverá ser maior nas quatro principais redes - Volkswagen, Fiat, General Motors e Ford.
Outra tendência é a de que grandes grupos adquiram os pequenos. A reestruturação começou pela própria Fenabrave, que acaba de eleger, pela primeira vez em sua história, um ‘‘presidente profissional’’, o economista Hugo Maia de Arruda Pereira, que não é dono de qualquer revenda. Ele e Verdi assumiram os novos cargos ontem em lugar de Sérgio Reze.
A exemplo do antecessor, Verdi e Pereira convocaram as revendas autorizadas a fazer uma espécie de locaute às montadoras. ‘‘Não podemos continuar recebendo carros se nossos pátios já estão lotados’’, disse Verdi. As vendas de automóveis e comerciais leves no varejo em outubro somaram cerca de 109 mil unidades. Como as montadoras entregaram mais 97 mil veículos aos distribuidores no mês passado, o encalhe continua perto das 200 mil unidades.
‘‘Temos de trancar a torneira de entrada de veículos’’, afirmou Verdi. O setor quer acabar com o poder das montadoras de transferir automaticamente seus estoques para as lojas, medida que consta nas normas que regulamentam as atividades dos revendedores autorizados.
Uma alternativa, na opinião de Pereira, seria a entrega de carros sob consignação (para pagamento somente após a venda). Essa medida já vem sendo adotada com algumas restrições pela Ford e está sendo também negociada pelos concessionários da Volkswagen e da General Motors. A nova gestão tem como slogan a ‘‘rentabilidade jᒒ.

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