Migração de contas para o Itaú dá prejuízo ao Banestado
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 27 de agosto de 2002
Vânia Casado<BR>Equipe da Folha 
Curitiba No primeiro semestre deste ano, as agências do Banestado, adquiridas pelo Itaú, registraram prejuízo de R$ 153,024 milhões. O balanço, enviado ao Banco Central, foi publicado ontem na imprensa e corresponde ao desempenho de 127 agências e quatro postos de atendimento bancário, que ainda estão com o nome Banestado. No ano passado, no mesmo período, essa estrutura gerou um lucro de R$ 48 milhões.
Na avaliação de analistas de mercado, a principal causa do prejuízo foi a migração de contas mais rentáveis do Banestado para o ''Itaú Personalité''. Outros fatores também influenciaram no desempenho negativo do Banestado. Entre eles, a receita por intermediação financeira que caiu 67%, passando de R$ 448,43 milhões no primeiro semestre do ano passado, para R$ 195,51 milhões este ano.
As operações de crédito, decorrentes de negociações com compra e venda de papéis e operações com câmbio, que registraram movimentação de R$ 231 milhões no primeiro semestre do ano passado, caíram para R$ 119 milhões este ano.
A justificativa para essa redução, segundo o analista Mohamed Talah Júnior, da Century Gestão de Recursos, foi a migração das contas mais rentáveis do antigo Banestado, cujos titulares operam com compra e venda de ações, para uma linha especial criada pelo Itáu, que é o ''Itaú Personnalité''.
A receita com as operações de compra e venda de títulos e valores mobiliários caiu de R$ 198 milhões no primeiro semestre do ano passado, para R$ 59 milhões no mesmo período deste ano. A justificativa para essa redução, na avaliação de Talah Júnior, foi a desativação da corretora Banestado e transferência das contas para a Corretora Itaú, em São Paulo.
O Banestado registrou ainda prejuízos de quase R$ 7 milhões, decorrentes do impacto provocado pela alteração da correção dos títulos públicos, promovida pelo governo em maio deste ano. Os títulos públicos foram comprados por R$ 111 milhões e hoje valem R$ 104 milhões. O analista acredita que esse prejuízo é passageiro e pode ser revertido.
Com a transferência de clientes de porte melhor para o ''Personnalité'' e a transferência da corretora, o valor do patrimônio do líquido do Banestado caiu de R$ 737 o lote de mil ações, no primeiro semestre de 2001, para R$ 650,26 este ano. Conforme a assessoria do banco, as contas do Banestado já estão incorporadas ao Itaú. Não existe mais executivo para cuidar do Banestado, admitiu.
Quem perde com isso é o acionista majoritário, que fica desprotegido no mercado, sem amparo de uma legislação específica, disse o analista. Ele não duvida, que até o final do ano o Itaú faça uma oferta de recompra das ações dos minoritários na ''bacia das almas'', afirmou.


