A imprensa brasileira destacou ontem as discrepâncias expostas na Carta de Quebec, documento que definiu janeiro de 2005 como prazo final das negociações para a criação da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA). ‘‘Reunião foi marcada por divergências’’, ressaltou o jornal econômico Valor. ‘‘O tom de divergências em relação à ALCA ficou evidenciado pela inclusão final de uma reserva feita pela Venezuela sobre a data final para o entendimento, em dezembro de 2005’’, destaca o Valor.
O jornal Gazeta Mercantil colocou em dúvida a criação da ALCA, com a manchete: ‘‘ALCA: possível, provável, mas ainda incerta’’. Em seguida, o jornal afirma que ‘‘a reunião de cúpula com 34 presidentes do continente terminou envolta em tantas névoas quanto as das bombas de gás lacrimogêneo que explodiram na cidade. A conclusão é pouco nítida: a criação da área de livre comércio desde o Alasca até a Terra do Fogo pode ser possível, talvez provável, mas ainda não é uma certeza’’.
‘‘Como quer o Brasil, ALCA só sai em 2005’’, titulou por sua vez o Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro, que acrescentou que ‘‘pelo menos em relação ao prazo para a criação da ALCA, a posição brasileira prevaleceu’’. O jornal carioca também ressaltou a batalha entre Brasília e Washington para a abertura de seus respectivos mercados.
O jornal O Globo destacou o compromisso dos participantes da reunião de Quebec para combater a pobreza no continente. ‘‘Plano contra pobreza marca fim da reunião da ALCA’’ afirmou O Globo, que acrescentou: ‘‘O documento final da Cúpula das Américas firmou o compromisso dos 34 países participantes de reduzir pela metade a pobreza na América Latina e no Caribe’’.
‘‘Sem democracia não se entra na ALCA, diz cúpula’’, titulou o jornal O Estado de S. Paulo antes de acrescentar que ‘‘a formação da ALCA e a defesa do sistema democrático foram temas dominantes na 3ª Cúpula das Américas’’. Por outro lado, o jornal Folha de S.Paulo afirmou: ‘‘Brasil faz ‘cúpula’ interna sobre a Alca’’, explicando que ‘‘o Brasil começa a definir no dia 9 de maio como vai negociar (ou não) sua adesão à ALCA que, se vier de fato a ser constituída, será o maior bloco comercial do planeta, com seus 800 milhões de habitantes e uma economia de 12 trilhões de dólares’’.

mockup