Produtores rurais são capitalizados, têm grande poder de compra e não gostam de ser tratados como caipiras. Essas constatações fazem parte de uma pesquisa realizada pela empresa IT Mídia, de São Paulo, para verificar o perfil do consumidor rural brasileiro.
O grupo especializado em produzir comunicação para corporações adquiriu recentemente a revista e o portal Agrinova e o fórum Agriforum, direcionados para o setor do agronegócio. A motivação para o investimento se expressa em números. Hoje, a produção da cadeia agropecuária responde por 30% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Enquanto a economia do País cresce 1% ao ano, o agronegócio registra taxa de mais de 6%.
''A realidade é que o consumo do interior está compensando a falta de consumo nas capitais'', opinou Silmar César Muller, vice-presidente de agronegócios da IT Mídia. Para ele, esse mercado é mal explorado pelos grandes anunciantes. Empresas dos grandes centros, por exemplo, ainda possuem a equivocada visão de que o homem do campo é ignorante. Com a pesquisa, que ainda não foi concluída, a empresa pretende mostrar às agências o verdadeiro perfil desse público.
Uma das constatações é que grande parte dos produtores rurais mora na zona urbana das grandes e médias cidades do interior. Com ''bala na agulha'', consomem automóveis, aviões, eletrodomésticos e outros bens, além dos produtos específicos para a atividade rural. Com altíssima exigência em relação à qualidade dos produtos, não gostam de ser focados como caipiras nas propagandas. ''Eles se ofendem. Funciona como anti marketing'', analisou.
Em Londrina, o mercado publicitário também aprendeu, por observação, que o consumidor rural gosta de ser bem tratado. O publicitário Spartaco Puccia, que atende várias empresas com foco nesse mercado, lembrou que que os produtores trabalham com tecnologia de ponta e precisam ser bem informados para conseguirem eficácia na atividade.
''São pessoas que gostam do que há de melhor'', acrescentou. Por conhecer esse perfil contemporâneo do homem do campo, ele não adota estratégias diferenciadas para atingir os públicos da zona urbana e rural. Concorda, porém, que essa parcela dos consumidores gosta de ser muito bem tratada. 'Antigamente, eles eram discriminados. Por isso, valorizam o atendimento''.

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