Um ano depois de Bill Gates ter deixado o cargo de presidente-executivo da Microsoft para se transformar em chefe dos Engenheiros de Software, a companhia consolida sua estratégia de ter uma atuação diversificada, em vários segmentos e todos interligados pela facilidade da Internet, de forma a conquistar tanto o consumidor doméstico – com aplicativos e produtos de entretenimento – como os clientes corporativos, de pequenas a grandes empresas.
No Brasil, cuja subsidiária foi eleita a melhor do mundo no ano passado, essa diversidade reflete-se, por exemplo, na expansão dos negócios do portal MSN e no aumento, do quadro de consultores, que se dedicam a prestação de serviços para empresas, incluindo aí não só os segmento de servidores mas as várias ferramentas para o funcionamento de pequenas a grande empresas. Dos atuais 60 consultores, a Microsoft deve passar a contar com pelo menos 150 no Brasil.
Tudo sempre com o objetivo de ganhar dinheiro rapidamente, lembra o diretor de Marketing no País, Luiz Marcelo Marrey Moncau. A frase pode parecer óbvia no mundo capitalista e vindo de um executivo de uma empresa que é um símbolo mundial. Mas Moncau explica que a Microsoft, por não ter um concorrente direto do mesmo porte que ela, tem a responsabilidade de abrir caminho, lançar e viabilizar os produtos antes.
E como líder – e sem a menor pretensão de perder a posição – quer faturar alto, e no menor prazo possível. ‘‘Não podemos nos acomodar nessa posição, ela se faz pela visão de retorno garantido’’, diz o diretor de Marketing.
Um claro exemplo dessa estratégia está no principal objetivo da empresa no Brasil nos próximos dois anos: o relançamento dos produtos para servidores de rede, com a consolidação no mercado corporativo. Segundo Moncau, antes a Microsoft não tinha preço para competir, depois performance. ‘‘Mas hoje juntamos os dois.’’
Outra prioridade são as ferramentas da chamada Net – o conjunto de produtos apresentados em meados de 2000 pelo próprio Gates para quem quer trabalhar baseado na Internet, seja uma pontocom ou uma companhia tradicional. ‘‘Este é um mercado mais complicado, porque precisamos atingir, só no Brasil, cerca de 60 mil desenvolvedores de programas, que usam nossos produtos para os mais diversos aplicativos’’, comenta.
Nesse segmento, ele prevê uma demanda maior dos produtos para ASP – os provedores de soluções remotas, que alugam software ou espaço virtural para ser acessado pela rede mundial de computadores. E, segundo Moncau, ainda têm muito espaço para conquistar no Brasil .
Segundo Moncau, o Brasil faturou US$ 438,6 milhões no ano-fiscal encerrado em 30 de junho de 2000, com um crescimento de 43% em relação ao ano anterior. Esses números garantem o posto de oitava subsidiária do mundo, fora os Estados Unidos. O ritmo de crescimento é maior do que as outras nove maiores unidades da companhia, aí incluindo os EUA, em razão do grande volume dos negócios no mercado brasileiro. O alvo é, em dois anos, subir uma posição no ranking. Depois disso, o diretor de Marketing diz que a disputa fica muito apertada, porque ‘‘a briga passa a ser com grandes mercados, muito desenvolvidos e maduros’’.

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