Microsoft mantém imagem e busca apoio
Richard Wright
Louise Kehoe
Do Financial Times
As autoridades antitruste dos Estados Unidos têm boas razões para achar que a imagem de Bill Gates e da Microsoft não saíram abaladas depois do veredicto de segunda-feira quando o juiz Thomas Jackson acusou a Microsoft de violar as leis de concorrência norte-americanas.
Em sua passagem pelo Congresso dos Estados Unidos, Gates foi recebido de braços abertos, em uma imagem muito diferente daquela de alguém condenado por práticas predatórias.
Com um veredicto histórico, funcionários do Departamento de Justiça federal e 19 secretários da Justiça estaduais estão enfrentando a próxima fase do caso: as soluções.
Provar que a Microsoft violou as leis antitruste era a parte mais fácil. O grande desafio é descobrir uma cura que não seja pior do que a doença.
Joel Klein, que dirige a divisão antitruste do Departamento da Justiça, já antecipou o problema, lembrando que a Microsoft já havia recuado perante uma solução obtida por acordo.
Fechado em 1994, o acordo supostamente limitava a capacidade da companhia para incorporar outros produtos de software ao seu sistema operacional Windows, campeão de vendas.
No entanto, em 95, a Microsoft já havia declarado guerra à Netscape Communications pioneira no campo do software para a Internet ao integrar seu browser ao Windows.
O comportamento da Microsoft deixou marcas. As medidas possíveis contra a Microsoft se enquadram em duas categorias: uma mudança estrutural na empresa como a divisão em companhias autônomas ou uma solução de conduta, que restringiria as práticas de negócios que a empresa pode adotar.
Pior caso Uma divisão seria complicada e ocasionaria grandes discussões. Uma solução de conduta seria difícil de aplicar, pois teria de impor à empresa a revelação do código-fonte de seu software com ele, os softwares rivais poderiam se adequar para trabalhar em sintonia com o Windows.
A analogia que eu emprego é a dificuldade que os Estados Unidos e as Nações Unidas tiveram em manter as inspeções de armas no Iraque, diz Steve Salop, professor de Direito na Universidade Georgetown.
Não estou comparando Bill Gates a Saddam Hussein, mas, no contexto da Microsoft, é complicado impor essas provisões de transparência.
Embora funcionários do governo digam que ainda não chegaram a uma decisão, advogados familiarizados com o caso já vêm discutindo maneiras de dividir a maior companhia de software do mundo.
Uma das opções favoritas seria separar a divisão Windows da divisão de aplicativos da Microsoft. A idéia seria estimular a competição, apoiando a criação de uma companhia rival em sistemas operacionais que se combinaria com a empresa de aplicativos saída da Microsoft.
A opção de divisão do grupo também é atraente porque evitaria a necessidade de policiamento constante. Seria a saída mais palatável para os funcionários da divisão antitruste, que podem perder seus cargos dentro de alguns meses. Por enquanto, a decisão caminha entre a fragilidade das opções e o fato político de a Microsoft não estar com sua imagem tão abalada.





