Micros querem refinanciar as dívidas
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sábado, 25 de outubro de 1997
Carmem Murara Curitiba 
DivulgaçãoSem benessesSantinoni diz que o empresário não quer que o governo subsidie as dívidas, mas que aplique juros justos Com um índice de dívidas que atinge quase 80% do setor, as micro e pequenas empresas querem convencer o governo federal a renegociar os débitos. A campanha de renegociação está sendo proposta pela Confederação Nacional das Entidades de Micro e Pequenas Empresas Industriais (Conampi). A intenção é sensibilizar o Ministério da Fazenda para que o órgão faça o recálculo das dívidas que existiam no início do ano passado.
Em março de 1996, os micro e pequenos empresários conseguiram que o Banco do Brasil renegociasse parte das dívidas. O banco determinou que as parcelas seriam corrigidas com uma taxa de juros de 1% ao mês, mais a Taxa Referencial (TR). O período estipulado para zerar o débito foi de 24 meses, prazo que terminará em março do próximo ano. O problema é que a renegociação acabou não beneficiando todo o setor. Cerca de 30% dos empresários que entraram na renegociação estão com o pagamento das parcelas atrasado em até dez meses.
Do total que conseguiu a renegociação, 70% estão quitando regularmente a dívida, mas o restante encontra dificuldades cada vez maiores. O problema é que o prazo estipulado foi muito curto. Há casos em que o empresário precisava de até 36 meses para pagar e outros de até oito anos, afirmou o presidente da Conampi, Ercílio Santinomi. Ao atrasar uma das prestações, houve a cobrança de juros bancários e a dívida cresceu além das contas feitas pelos empresários.
A idéia de Santinomi é apresentar para o Ministério da Fazenda uma nova proposta de cálculo para os números. Não queremos que a dívida seja subsidiada, mas não podemos pagar os juros absurdos de 12% ao mês, que são cobrados quando há o atraso no pagamento, reclamou. Ele defende que o governo faça o recálculo dos valores devidos em março no ano passado para em seguida aplicar os juros reais. Depois bastaria dividir o total em parcelas, que poderiam variar conforme a situação do empresário.
As 4,5 milhões de micro e pequenas empresas representam 22% do Produto Interno Bruto (PIB) do País. Elas são responsáveis por 15,7 milhões de empregos diretos. Somente no Paraná, há cerca de 380 mil micro e pequenas empresas que geram 1,3 milhão de empregos.
Segundo avaliação da Conampi, as empresas não fecharão o ano com números positivos. A estimativa feita em janeiro era de que o setor cresceria 6% em vendas. Mas o último dado levantado em agosto mostrou que as micro e pequenas empresas acumulam uma queda de 5% nas vendas. Se continuármos assim ficaremos com um crescimento negativo de mais ou menos 6% até dezembro, afirmou Ercílio Santinomi.


