Micros iniciam 97 com mercado em alta
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quinta-feira, 16 de janeiro de 1997
Agência Estado de São Paulo 
Arquivo FolhaAmeaçaJoseph Couri, presidente do Simpi: preocupação com paradeira se o governo não facilitar o acesso ao crédito
O ano começou bastante aquecido para as pequenas e micro empresas. As encomendas de início de ano estão bem acima das de janeiro do ano passado, segundo o presidente do Sindicato da Micro e Pequena Indústria (Simpi), Joseph Couri. Se esse ritmo for mantido até o final do mês, prevê o empresário, o nível de emprego entre essas fábricas vai ficar 1% acima de dezembro e deverá ser o maior registrado pelo setor no mês de janeiro.
As vendas estão mais aquecidas do que dezembro, diz Couri. Ele, no entanto, não soube estimar quanto cresceram. A maior parte dos pedidos vem das empresas de eletroeletrônicos e da indústria automobilística. Esses setores continuam puxando a economia desde o Real, observa. Mas, segundo ele, os pedidos cresceram de forma generalizada em todos os setores.
Esse aumento das contratações em janeiro é completamente atípico para as pequenas empresas e, se confirmada a previsão de Couri, será a primeira vez que as fábricas contratam nos primeiros meses do ano. Todos os anos, o nível de emprego nas pequenas e micro empresas caem em janeiro. Vamos bater recorde histórico este mês, comemora o empresário.
O resultado de janeiro, na sua opinião, indica que o primeiro trimestre do ano também será mais aquecido do que igual período do ano passado. Ainda é cedo para dizer isso, mas os indicativos são de que as empresas vão contratar ao invés de demitir como costumam fazer, prevê. As previsões para o ano são positivas. Para 30% dos pequenos e micro empresários consultados pelo Simpi, 1997 vai ser um bom ano para os negócios. Para 25% deles, vai ser razoável e para 5% será um ano ruim.
O balanço do setor sobre 1996 também é muito positivo. Pesquisa realizada pelo Simpi entre os associados mostra que 78% dos entrevistados consideraram bom o ano passado. Enquanto o nível de emprego nas grandes fábricas recuou 8,17%, segundo a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), nas micro e pequenas subiu 15,1%. Desde o Real, elas criaram 45.600 vagas.
Mas Couri disse que está preocupado com uma possível estagnação nas contratações, se o governo não facilitar o acesso ao crédito. Metade das pequenas e micro empresas não investiram nada na produção, desde a criação do Real. Na sexta-feira, Couri disse que vai se encontrar com o Ministro do Trabalho, Paulo Paiva, para discutir medidas que estimulem a criação de mais empregos nas pequenas e microempresas.
Ao contrário do que aconteceu nas fábricas de grande e médio porte, Couri disse que a modernização e o investimento em tecnologia não vão provocar demissões nas pequenas indústrias. As pequenas fábricas vão comprar equipamentos novos, mas não vão robotizar, salientou. A robotização, na sua opinião, é que rouba mercado do trabalhador.


