Micros duelam com grandes indústrias
A instabilidade climática, a concorrência de peças importadas e a própria necessidade de modernização exigida pelo setor de vestuário tornaram o ramo de malharia um negócio pouco procurado atualmente. Para quem já está em campo, na briga pelo melhor preço, as pequenas confecções acabam perdendo das grandes indústrias. Outro fato é que praticamente desapareceram do mercado os estabelecimentos multimarcas. Hoje, as lojas que vendem malhas estão optando por apenas uma marca, que normalmente tem linhas para diversas faixas etárias. No entanto, ainda é possível para o pequeno lucrar nesse segmento aliando-se a uma rede de franquia.
Para o consultor-financeiro-administrativo Celso Marchi, o problema das malharias independentes está na falta de uma produção em escala. Na opinião da consultora de varejo e franchising Celina Kochen, os problemas que ocorreram no segmento, nos últimos anos, foram causados pela exigência de profissionalização no ramo. Houve tambem uma mudança no conceito do produto. Hoje em dia não dá para ser tão especializado e vender só malha, tem de haver a produção de outros produtos para atrair mais consumidores.
O diretor da PCM Franchise, Paulo Cesar Mauro, explica que a maior dificuldade dos pequenos, hoje, é enfrentar a concorrencia dos magazines e acompanhar a moda. Acho que tem mais sucesso a marca que dedicar-se a venda de malha para a classe média e, se possível, com produtos voltados para toda a família.
A Hering, por exemplo, produziu 5 milhões de camisetas no ano passado. Por mês, são fabricados seis milhões de vestidos, calças, camisetas e moletons.
O faturamento das 47 franquias ficou em US$ 35 milhões, em 1997. Cada franquia colabora mensalmente com lucros brutos entre R$ 85 mil e R$ 90 mil.
Atualmente, a empresa é responsável por 6% do mercado de malharia no Brasil. Para este ano, a expectativa é de abertura de 20 novas franquias e obtenção de um faturamento anual de US$ 50 milhões. Para alcançar essa cifra, a Hering preparou sua coleção prevendo uma possível falta de frio no inverno.
Enquanto 90% das vendas da franquia Hering são de malhas, o porcentual na Colcci representa 30% da produção total de peças. Há três anos, a malha representava 70% . Estamos partindo para a fabricação de produtos com brilho e com uma certa elasticidade que o algodão não dá, diz o diretor-industrial, Mauricio Cesar Schilindwein. A mudança foi provocada por pedidos dos próprios consumidores. A Colcci tem hoje 250 franquias.
A Benetton continua investindo em malha, utilizada em cerca de 70% da produção de 1,7 milhão de peças. O sistema adotado, contudo, nao é o de franchising. O dono da loja, no caso, torna-se um licenciado da marca. A diferença é que não é necessário pagar taxas de royalties, franquia e de propaganda. Mas há treinamento e cada estabelecimento tem de ter uma padronização. É uma relação comercial com menos custos e mais flexibilidade, diz o diretor-comercial da empresa no Brasil, Mauro Voltolina. A Benetton tem cem licenciados no País.
No entanto, para a consultora Celina, o licenciamento é, na verdade, uma forma de o franqueador fugir de suas responsabilidades com o franqueado, porque não tem de prestar contas da administração de seu negócio.





