Microempresários retomam a confiança
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quinta-feira, 02 de março de 2017
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 

O Indicador de Confiança dos micros e pequenos empresários de varejo e de serviços do mês de fevereiro atingiu o maior resultado da série histórica, iniciada em maio de 2015, e chegou a 52,5 pontos. Mesmo assim, o indicador apresenta um otimismo moderado dos micros e pequenos empresários, já que, abaixo de 50, o indicador mostra pessimismo e, acima de 50, otimismo, podendo chegar a 100.
O índice é medido pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). Em relação a fevereiro de 2016, houve um aumento de 9,5 pontos, e na comparação com janeiro de 2017, um incremento de 1,5 ponto, com variação percentual de 22,1% e 2,9%, respectivamente.
Para a CNDL, a melhora do indicador tem ligação com as medidas do governo para a retomada do crescimento, e notícias como o recuo da inflação, a aceleração do corte de juros e a liberação de recursos do FGTS que podem beneficiar os setores de comércio e serviços, diz texto enviado pela assessoria de imprensa do SPC Brasil.
A confiança do empresário, no entanto, é maior com o seu negócio (66%) do que no futuro da economia (57%). Daqueles confiantes em seu negócio, 34% não sabem dizer o motivo do otimismo e 30% confiam na gestão que estão fazendo. Outros 13% atribuem aos sinais de melhora da economia a confiança com os seus negócios. Dentre os empresários otimistas com o futuro da economia, outros 45% não sabem dizer o motivo da confiança, 21% apontam os sinais de melhora da economia e 17% dizem acreditar que a crise política será resolvida.
Metade dos entrevistados na pesquisa espera ainda que o seu faturamento vá crescer nos próximos meses. Os demais dizem que o faturamento não vai mudar (35%) ou que irá cair (8%). A avaliação sobre os últimos seis meses, porém, é negativa: 61% consideram que a economia piorou, contra 13% que dizem que houve melhora. A maior parte dos empresários (49%) também respondeu que houve piora em seus negócios, contra apenas 17,5% que avaliaram que houve melhora.

Perspectiva positiva
Proprietário da Borrachas Guaporé, Edvaldo Santos Novaes conta que os negócios começaram a dar sinais de melhora só a partir da metade de 2016. E para 2017, a perspectiva é de crescimento. "Entre o final de 2016 e início de 2017 é que tivemos uma retomada palpável de crescimento. Em 2017, temos muito trabalho, mas a perspectiva é de crescimento. Aquele sentimento de olhar para o futuro com medo do que vem pela frente já passou", comemora. Para chegar a este ano com uma boa perspectiva, o empresário conta que apostou na busca de conhecimento e informações, no trabalho de otimização dos processos e no investimento, mesmo em crise. "O que para nós vem se mostrando uma alavanca real de crescimento é o segmento de agroindústria. Temos sentido um crescimento deles e, em contrapartida, um crescimento em nossas vendas."
Monitoramento
No segmento de panificação e confeitarias, a empresária Tieko Hara, da Panificadora e Confeitaria Rio Branco, também mostra otimismo quanto às vendas dos próximos meses, já que as temperaturas mais baixas aquecem a venda de alimentos, afirma. "Em seis meses, acho que vai melhorar, sim. Quando começa a esfriar as pessoas comem mais, e o pão francês é mais em conta do que a carne, por exemplo. Mas nós vamos monitorar." Para sobreviver à crise, ela conta que teve que cortar despesas "para passar a crise sem precisar fazer financiamento" e sem diminuir a produção. "Se diminuir a produção, o cliente não vem e aí piora mais ainda a situação. Eu confio no meu negócio. São as ameaças externas que não tem como controlar. Não dá para confiar na economia, ainda tem muito desemprego." Tieko comenta ainda que sempre conversa com os clientes para checar se os negócios estão indo na direção certa.
Avançar para não sucumbir
Os micros e pequenos empresários estão manifestando o desejo de diminuir custos, buscar crédito e agregar inovação, conhecimento e automação aos seus negócios. A afirmação é de Rubens Negrão, consultor do Sebrae Londrina. "O cenário tirou muita gente do mercado, e as que ficaram estão vendo que é preciso avançar para não sucumbir e estão investindo em produtividade, qualidade e redução de custo e desperdício."
Dados da pesquisa do SPC Brasil e da CNDL mostram que 66% estão confiantes com os seus negócios, e desses, 30% revelam otimismo por estarem fazendo uma boa gestão de sua empresa. "As empresas têm que criar mecanismos para mitigar o impacto da crise econômica, e as micros e pequenas conseguem amortecer melhor esse impacto porque são mais versáteis, a tomada de decisão é mais rápida e elas funcionam de forma mais enxuta", comenta Negrão.
Ainda segundo o estudo, 11% dos empresários estão pessimistas, e atribuem o sentimento não só à crise, mas também à queda profunda das vendas e à natureza dos seus produtos, considerados supérfluos. Às empresas de ramos tradicionais, o consultor recomenda se diferenciar no mercado por meio de um serviço prestado, de um ambiente diferente, de uma melhor experiência de compra ou de um produto que ofereça uma inovação. Descobrir a inovação necessária se dá ouvindo o cliente e tomando como referência não só empresas locais, mas de grandes centros e até outros países. Para empresas de produtos "supérfluos", ele orienta criar valor sobre eles por meio de eventos, vinculação com outras marcas ou das mídias sociais.(M.F.C.)


