Curitiba - Uma maior participação dos pequenos empresários no total das exportações brasileiras norteou a palestra do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, ontem, em Curitiba. O pronunciamento ocorreu às 13 horas, no encerramento do XIV Congresso Brasileiro da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil, no Estação Embratel Convention Center.
Depois de receber uma homenagem da confederação, a Comenda VIII Conde dos Arcos, o ministro abriu a palestra com uma má notícia. Aos pequenos empresários, que acreditavam ocupar a fatia de 5% no bolo das exportações brasileiras, Furlan informou que a situação é pior. Só 2,5% dos produtos vendidos no exterior saem das microempresas, somando US$ 2 bilhões por ano.
Sugestões para melhorar essa situação foram colocadas pelo ministro, entre elas, maior capacitação do trabalhador e a inclusão digital dos pequenos empresários, essencial para que eles consigam informações importantes sobre mercado exterior. ''Não há uma coisa que se produza no País que não tenha alguém lá fora querendo comprar'', disse o ministro. Segundo ele, o estado de São Paulo tem 40% das pequenas empresas exportadoras. Em seguida, estão Rio Grande do Sul e Paraná.
Depois de visitar 35 países divulgando a produção industrial brasileira, Furlan acredita que o governo conseguirá aumentar em 50% as exportações. Conforme o ministro, o País já ganha destaque em segmentos pouco conhecidos. ''O Brasil é o maior produtor de joguinhos eletrônicos para celular'', comentou.
Para Furlan, programas lançados recentemente ajudam no aumento desse índice, como o de incentivo à modernização de máquinas e de caminhões. Segundo o ministro, em breve o governo Lula anunciará um programa de estímulo para melhoria dos portos.
Furlan preferiu não polemizar sobre a crise entre Brasil e Argentina, iniciada a partir da criação de medidas pelos argentinos para dificultar a importação de alguns produtos brasileiros, como fogões, geladeiras e televisores. Ele diz que espera a visita em data ainda não definida do ministro da Economia da Argentina, Roberto Lavagna, para discutirem o problema.
Ele descartou a possibilidade do Brasil apelar para a Organização Mundial do Comércio (OMC) para verificar se as salvaguardas impostas pela Argentina estão de acordo com as regras internacionais. Salvaguardas são instrumentos que permitem o aumento de imposto quando há prejuízo à indústria local. ''Vamos caminhar para o diálogo'', afirmou. Furlan não acredita que o problema entre Brasil e Argentina vai enfraquecer o Mercosul, formado pelo Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. ''O Mercosul está unido'', disse.

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