Microempresa não tem acesso a crédito
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segunda-feira, 08 de janeiro de 2001
Gustavo Paul Agência Estado De Brasília 
As medidas adotadas pelo Banco Central desde outubro de 1999 para redução dos juros bancários no País não serviram para levar mais micro e pequenas empresas a procurar crédito no mercado financeiro. Enquanto o custo médio do dinheiro para as pessoas jurídicas caiu de 54,8% ao ano em outubro de 1999 para 33,8% em novembro passado, o porcentual de micro e pequenas empresas interessadas em obter financiamento caiu de 41% em 1997 para apenas 31% no ano 2000. Na Região Sudeste, por desinteresse ou crédito negado, 84% das empresas ficaram sem obter recursos.
Uma pesquisa realizada entre setembro e outubro passados em todo o País pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) mostra que os juros altos e as exigências de garantias reais continuam sendo as principais razões alegadas para este desinteresse dos empresários pelo crédito. Com isso, a sondagem do Sebrae, feita entre 1.038 micro e pequenas empresas em todo o País, constatou que o índice de concessão de financiamentos para o setor teve uma redução de 39% em 1997 para 28% em 2000.
A pesquisa comprova mais uma vez que a dificuldade de acesso ao crédito pelas micro e pequenas empresas permanece sendo um dos maiores problemas do segmento, disse o diretor-presidente do Sebrae, Sérgio Moreira. Superando este obstáculo do crédito haverá melhores condições de ampliação e sustentabilidade da micro e pequena empresa. De acordo com o Sebrae, o número de micro e pequenas empresas representa 95% do total das indústrias 98% do comércio e 99% do setor de serviço.
Na prática, sem acesso facilitado e constante a linhas de financiamento, as empresas de pequeno porte têm mais dificuldades em expandir suas atividades, contratar pessoal e ganhar mercados. O dinheiro captado pelos micro e pequenos empresários é usado principalmente para a formação de capital de giro, aquisição de máquinas, ampliação e melhoria das instalações, aquisição de bens de informática e formação de estoque.
Além do excesso de garantias e dos juros elevados, os empresários reclamam que as instituições financeiras demoram muito para liberação do dinheiro, o que alimenta o desestímulo à procura por crédito. A pesquisa do Sebrae aponta que apenas em 46% dos casos a resposta do banco, positiva ou não, foi dada em menos de duas semanas. Em 32% dos casos, a comunicação bancária, foi fornecida mais de um mês depois do pedido, dos quais 13% levaram mais de três meses. Esses porcentuais ainda estão muito longe de atender às necessidades dos clientes, conclui a pesquisa.
Os bancos também apresentaram vários motivos para negar crédito. Se de um lado os empresários não pedem empréstimos pelo excesso de garantias solicitadas, as instituições negam crédito pela insuficiência destas mesmas garantias. Além disso, o dinheiro não é liberado porque os clientes não têm capacidade de atender às chamadas exigências de reciprocidade bancária, tais como saldo médio, aplicações, etc.
Os financiadores temem o calote dos empresários, que alegam principalmente (49% dos casos) problemas momentâneos de caixa da empresa para justificar atrasos no pagamento da dívida. Se comparado a 1997, neste levantamento aumentaram de 27% para 39% os empresários que argumentaram problemas de âmbito nacional como responsáveis pela dificuldade em pagar alguma parcela do empréstimo.
O levantamento constatou ainda que no ano passado os empresários passaram a se relacionar mais com bancos privados do que com a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil.


