O valor total das operações de crédito do sistema financeiro, segundo o Banco Central, somaram em fevereiro R$ 1,4 trilhão, sendo 56% destinados a pessoas jurídicas e 44% a pessoas físicas. Das jurídicas atendidas, apenas 16% são empresas que faturam até R$ 100 mil por ano e o restante do bolo está nas mãos das maiores. Muitos micros e pequenos empresários ainda encontram dificuldades para conseguir crédito por causa das taxas altas e da exigência de garantias reais. No Paraná, programas de microcrédito promovem inclusão financeira e impulsionam a atividade de empreendedores formais e informais.
As principais vantagens são os juros baixos e a não exigência de garantias reais - os programas pedem avalistas. Na Casa do Empreendedor de Londrina - Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), que atende formais ou informais - o volume de recursos financiados cresce em média 12% ao ano. Com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES), a proposta é atender pessoas que não tenham facilidade de acesso a instituições financeiras. A taxa de juros é de 3,98% ao mês e o prazo máximo para pagamento é de 18 meses.
Atuando em várias regiões do país, a entidade foi criada em Londrina em 1997 - sob a administração de dez instituições da sociedade civil - e desde então já emprestou mais de R$ 46 milhões. Só neste ano, segundo Rubens Bento, gerente econômico-financeiro da Casa, já foram liberados R$ 550 mil. Ele diz que em 2009, por causa da crise financeira mundial, houve redução em torno de 6% nos financiamentos em relação ao ano anterior.
''O pessoal ficou meio receoso e deixou de emprestar, mas a situação já está se normalizando e esperamos fechar 2010 com R$ 7,2 milhões de empréstimos (em 2009 foram R$ 5,9 milhões)'', diz. Segundo Bento, a Casa do Empreendedor tem hoje uma carteira ativa (bruta) de R$ 4,6 milhões com 1.850 clientes. Entre os empreendedores que buscam recursos, 73,97% são informais e apenas 26,03% formais. Dos informais, a maioria (57,85%) são mulheres. Na lista geral estão pessoas que trabalham alimentação, costura, oficina mecânica, vendas de bolsas, bijuterias, cosméticos, confecção, entre outros.
O limite de financiamento é de R$ 5 mil para capital de giro e R$ 10 mil para investimento. Para conseguir, o interessado tem que estar com o nome limpo e provar que exerce alguma atividade. Os agentes de crédito vão até o endereço fazer todo o levantamento. Também precisa comprovar capacidade de pagamento e apresentar um avalista. ''Se ficar difícil o avalista, aceitamos garantia de bens como veículo e imóvel'', explica Bento, informando que o crédito é liberado em dois dias. Bento diz que a maioria dos clientes quita seus débitos em dia, porém, a inadimplência subiu nos últimos anos. Passou de 3,94% em 2006 para 7% neste ano.
Banco Social
Criado em 2001 pelo Governo do Estado, mas retomado em sua proposta original no segundo semestre de 2009, o Banco Social é um programa de microcrédito que atende pequenos empreendedores formais ou informais. Segundo a técnica da Secretaria de Estado do Trabalho, Maria Inês Prevedello, desde que surgiu o programa já emprestou R$ 115 milhões e realizou mais de 33 mil operações. A partir de outubro - quando foram retomadas as operações - até agora, porém, o volume emprestado é de R$ 2,7 milhões em 500 operações.
Embora a meta seja atender os 399 municípios do Paraná até o final de 2010, por enquanto, 204 cidades foram treinadas para receber o programa, mas dessas apenas 124 estão em operação. ''Nas demais, os trabalhos estão em fase de implantação'', informa Maria Inês. É o caso de Londrina, onde o Banco Social foi lançado no final do ano passado, mas ainda não funciona na prática. Cidades vizinhas como Cambé e Ibiporã já contam com o programa.
Para ser atendida, a pessoa tem que ter endereço fixo na cidade há mais de um ano. São três faixas de financiamento: até R$ 2 mil, para quem está iniciando uma atividade; até R$ 5 mil para empreendedores informais quem estejam há pelo menos seis meses na atividade; e até R$ 10 mil, para formais que tenham empresa aberta há mais de seis meses. O prazo para pagamento vai de 18 a 24 meses.
A taxa de juros atualmente é de 0,95% ao mês, mas deve cair para 0,56% a partir de abril, segundo Maria Inês. Sem citar dados estatísticos, ela afirma que a demanda por financiamento vem crescendo a cada mês. ''A expectativa é que aumente a partir de abril com a taxa de juro mais baixa''. Hoje, a inadimplência está abaixo de 1% e a maioria (70%) dos empréstimos do Banco Social é feita para informais. Quanto à atividade, 90% são do setor de prestação de serviços e comércio.

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