Microcrédito deve alcançar pequeno negócio familiar
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terça-feira, 24 de junho de 2003
Agência Estado 
Brasília - A maioria dos microempreendedores que poderão se beneficiar das novas medidas de estímulo ao crédito corresponde a famílias cujos chefes perderam o emprego no mercado formal e resolveram iniciar um negócio por conta própria. Dos 6 milhões de microempreendedores sem acesso ao crédito, estimados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e divulgados pela Caixa Econômica Federal (Caixa), cerca de 60% não têm conta corrente em banco, calcula o diretor da Fininvest, empresa de crédito do Unibanco, Carlos Ximenes de Mello.
''As unidades familiares são muito comuns e, em geral, representam o início de uma atividade produtiva'', disse Ximenes. Mas a maior parte desses empreendedores têm pelo menos uma caderneta de poupança (cerca de 70%) ou um cartão de financiamento em loja de varejo (65%). ''É o pai de família que vende na porta de casa bolo e café que a mulher prepara. Ele pode ter necessidade de uma estufa para manter o pastel quente, uma máquina industrial de café, um freezer...'', explicou Ximenes.
Cabelereiros que montam um salão de beleza, torneiros, eletricistas, borracheiros, camelôs, dogueiros, pipoqueiros e churreiros também estão entre os principais perfis de clientes da unidade de microcrédito da Fininvest, a Microinvest, diz o diretor.
O setor de pequenas confecções também é um cliente frequente. ''São costureiras, muitas delas informais, que precisam comprar uma máquina profissional, por exemplo.'' O número exato desses profissionais é muito difícil de calcular porque a maior parte da economia funciona no mercado informal, diz Ximenes.
Por isso, a Microinvest, que atualmente tem uma carteira de R$ 800 mil e 630 clientes e está iniciando uma parceria com o Banco Mundial, não exige que o empresário comprove a formalidade. Para receber o crédito da Microinvest, o cliente tem de comprovar um ano de atividade, mas isso pode ser feito com o testemunho de um fornecedor, por exemplo. ''Por causa desse grande mercado informal, seria benéfico que esse pacote do governo tratasse de simplificar o registro trabalhista e a comprovação de pagamento de impostos'', diz Ximenes.


