Microcrédito cresceu 82% em dois anos
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sábado, 10 de junho de 2000
Inter Press De Nova York 
A Organização das Nações Unidas está avaliando, desde segunda-feira, os resultados de cinco anos de uma campanha de pequenos créditos para as famílias mais pobres do mundo, em especial, as encabeçadas por mulheres. A iniciativa de proporcionar microcréditos para auto-emprego, assistência financeira e negócios foi lançada em Pequim, em 1995, durante a 4ª Conferência Mundial sobre a Mulher, por um grupo que incluía Hillary Clinton, esposa do presidente dos Estados Unidos.
A meta pretendida, então, foi que o programa chegasse a beneficiar 100 milhões de famílias pobres até 2005. Uma revisão dessa meta acontece durante a sessão especial da Assembléia Geral da ONU Mulheres 2000: igualdade de gênero, desenvolvimento e paz no século XXI, também conhecida como Pequim +5. Em um relatório divulgado no começo da semana, com base na revisão dos serviços prestados por 1065 instituições de pequenos créditos, indica-se que, até 31 de dezembro de 1999, os programas beneficiaram 13,8 milhões de pessoas pobres do mundo, 75% das quais (10,3 milhões) são mulheres. Isto representa um aumento de 82% nos dois últimos anos, ou seja, seis milhões das pessoas mais pobres do mundo, a maioria de mulheres, diz o relatório.
O objetivo dos pequenos créditos é oferecer aos pobres empréstimos com baixa taxa de juros, para que possam enfrentar os desafios das economias em desenvolvimento e estabelecer atividades sustentáveis. Os responsáveis pela iniciativa de Pequim estiveram presentes na reunião de avaliação. Além de Hillary Clinton, participaram Noeleen Heyzer, diretora executiva do Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher Unifem, Muhammad Yunus, fundador do Banco Brameen de Bangladlesh, e Ela Bhatt, fundadora da Associação de Mulheres Auto-Empregadas, da Índia. Estiveram presentes também Sam Daley-Harris, diretor da Campanha da Cúpula do Microcrédito, e Bisi Ogunleye, vice-presidente da Organização de Mulheres para o Ambiente e Desenvolvimento, da Nigéria.
O relatório enfatiza que o microcrédito é feito de forma direta aos pobres, cria empregos nas aldeias e ajuda as mulheres a obter confiança em si mesmas. Hillary Clinton disse que o financiamento tem um grande potencial para estimular o crescimento econômico, não só em países em desenvolvimento, mas também em regiões pobres dos Estados Unidos. É uma ferramenta inestimável para aliviar a pobreza e promover a auto-suficiência das comunidades desamparadas. Esses empréstimos transformam as vidas e salvam da decadência as áreas rurais, as aldeias e as cidades, acrescentou a primeira dama norte-americana. Kofi Annan, secretário-geral da ONU afirmou: O microcrédito é um investimento sábio em capital humano. Quando os mais pobres, em especial as mulheres, recebem empréstimos, tornam-se atores econômicos, com poder para melhorar suas vidas e de suas famílias, de suas comunidades e de seus países.
Heyzer, por sua vez, declarou que se trata de muito mais que apenas acesso ao dinheiro. As mulheres conseguem ganhar a vida, emergem da pobreza e da vulnerabilidade e obtêm força econômica e política dentro de suas comunidades e de seus países. O primeiro-ministro de Bangladesh, Sheikh Hasina, avaliou: Os microcréditos para mulheres do meio rural oferecidos por governos, instituições financeiras e organizações não-governamentais transformaram o nosso panorama social e econômico. Daley-Harris comentou que, no entanto, os mais pobres são excluídos dos programas de pequenos empréstimos por muitas razões. Essas pessoas são as que menos se apresentam como candidatos, de modo que identificá-las e motivá-las implica em custos adicionais. O montante reduzido dos empréstimos torna mais difícil que as instituições financeiras que oferecem os microcréditos cheguem a ser auto-sustentáveis, explicou.
Muito pouco, ainda Segundo cálculos da ONU, apenas 0,2% dos empréstimos comerciais convencionais do mundo beneficiam as pessoas mais pobres, que constituem um quinto da população do planeta. A maioria dos 1,5 bilhão de pessoas que vive com não mais de um dólar por dia são mulheres. Além disso, o abismo de renda entre homens e mulheres tem aumentado na última década, um fenômeno conhecido como feminilização da pobreza, ressalta a entidade, acrescentando: É frequente que as mulheres que vivem na pobreza não tenham acesso a recursos cruciais, como o crédito e a terra.


