Microcrédito ajudará quem não tem renda
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sábado, 17 de maio de 2003
Lu Aiko Ottae Vera Rosa<br> Agência Estado 
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai anunciar, em junho, medidas destinadas a dar crédito bancário a quem hoje não têm a menor chance de obter empréstimo. São os atuais cidadãos de segunda classe, que não possuem renda, nem avalista, muito menos bens para oferecer como garantia. Os empréstimos serão de pequeno valor, mas suficientes para oferecer uma alternativa de renda. O chamado microcrédito deverá ser a primeira de uma robusta lista de medidas que marcarão a ''face social'' do governo Lula.
''A diferença da política econômica desta administração com a de Fernando Henrique vai se revelar nos próximos meses'', afirmou o secretário-geral da Presidência, Luiz Dulci. ''Um dos emblemas para a retomada do crescimento é a taxa de juros, mas queremos que a queda seja duradoura: nada de fogo de palha.''
Além do crédito, as medidas em gestação no Palácio do Planalto e na Esplanada dos Ministérios incluem uma política industrial e um pacote de financiamento à habitação. Entre os possíveis setores beneficiados pela nova política industrial, o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP) citou o aeronáutico e a indústria naval. São setores capazes de absorver investimentos e dar uma resposta mais rápida em termos de exportação e emprego.
Até agora, o ministro da Fazenda, Antônio Palocci Filho, preocupou-se com a superação da crise econômica. Para tanto, usou um arsenal muito parecido com o de seu antecessor, Pedro Malan - o que acabou lhe rendendo o apelido de ''Malocci''.
Com pressões de todos os lados para que os juros caiam -engrossadas por vozes do próprio governo -, Palocci quer mostrar que esta era só uma parte da história. A outra seria o combate à pobreza e a desigualdade e o crescimento econômico. Ou seja: aquilo que é de fato o programa de governo do PT.
Palocci destaca que a nova etapa do governo não significa o abandono da austeridade fiscal nem do respeito ao cumprimento de contratos. Essas linhas estão na base da recuperação econômica e não serão abandonadas. Combinadas com a aprovação das reformas, elas permitirão a queda sustentada da taxa de juros, a estabilidade do dólar, a retomada das linhas de financiamento, a atração de mais investimentos. ''A construção da fase dois passa por consolidar esse caminho'', diz Mercadante. ''Para podermos colher, temos de arar, plantar e irrigar a terra.''


