Micro e pequenas empresas precisam de crédito
É inegável que nos últimos dois anos, o crédito aumentou no Brasil. Segundo Banco Central, o volume de crédito oferecido cresceu cerca de 30% desde 2002. E é só observar os anúncios nas emissoras de TV e jornais que fica óbvio que o grande motor deste crescimento é o financiamento direto ao consumidor por meio do crédito consignado.
É uma injeção de dinheiro importante para a economia, mas ainda está faltando criar linhas de financiamento que cheguem mais facilmente às micro e pequenas empresas. No final de 2006, uma pesquisa do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas regional São Paulo (Sebrae-SP) apontava que apenas 22% das MPEs paulistas utilizam financiamento bancários.
Por outro lado, a mesma pesquisa mostrava que 57% dessas empresas gostariam de ter acesso a financiamento. O problema é que elas sempre esbarram na burocracia e no custo do crédito. De acordo com o diretor do Núcleo de Crédito à Indústria do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Claudio Luiz Miquelin, o setor industrial sente falta de uma política dirigida às micro e pequenas empresas. ''Não há hoje no Brasil nenhum mecanismo capaz de garantir crédito adequado as MPEs'', explica.
O presidente do Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-Ldr), José Joaquim Ribeiro, diz que esta situação tem feito muito mal para a economia brasileira. Segundo ele, os micro e pequenos empresários encontram muitas dificuldades para conseguir crédito para ampliar suas empresas.
''O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) oferece crédito com taxas reduzidas para as empresas. Mas a burocracia é tão grande, são tantos os documentos e dificuldades para ter acesso a esses empréstimos que o dinheiro nunca chega às pequenas e microempresas. O dinheiro acaba indo apenas para grandes empresas brasileiras e até multinacionais que têm estrutura suficiente para atender a tudo o que o banco exige'', explica Ribeiro.
Os bancos privados começam a olhar de forma diferente este mercado, porém o dinheiro ofertado por estas instituições ainda é muito caro. ''Além das taxas de juro, as taxas de aberturas de crédito dos bancos acabam empurrando penduricalhos como seguro, por exemplo, o que encarece ainda mais o dinheiro requisitado. Os bancos alegam que o dinheiro é caro por causa da inadimplência, mas esta é uma alegação questionável'', explica Ribeiro.
Ele diz isto por experiência própria. Ribeiro foi, por quase dez anos, presidente da Casa do Empreendedor de Londrina. Neste período, segundo ele, o índice médio de inadimplência foi de 3%. ''Nós fazíamos empréstimos para micro e pequenos empresários, muitos deles que atuam na economia informal, a taxas baixas, e com poucas garantias. Porém os empresários cumpriam seus compromissos'', explica Ribeiro.
O presidente do Sescap-Ldr afirma que é necessário que o governo desburocratize o acesso ao crédito para este segmento que é o principal gerador de empregos no Brasil. ''Temos que sempre partir do princípio que o empresário quer produzir mais e isso gera empregos e receita através de impostos. O governo deveria entender que não adianta facilitar o crédito só no discurso, é preciso efetivar esta ação para aquecer a economia'', defende Ribeiro.
Fonte:Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-Ldr)





