México ultrapassa o Brasil na produção de veículos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 04 de março de 2015
Jamil Chade<br> Agência Estado 
Genebra - O Brasil perdeu para o México a liderança na produção de veículos na América Latina e, neste ano, pode também deixar de ser o quarto maior mercado de carros do mundo. Os dados foram divulgados ontem, pela Organização Internacional de Construtores de Automóveis (Oica), durante o Salão do Carro de Genebra. Para 2015, a previsão é que o setor automotivo brasileiro terá um dos desempenhos mais fracos entre os grandes mercados.
No ano passado, a Oica aponta que a produção brasileira sofreu um tombo de 15,3%, o que fez o País registrar o pior resultado entre os dez principais produtores do mundo. Com isso, o Brasil caiu da sétima colocação para a oitava no ranking dos maiores fabricantes globais, com 3,1 milhões de unidades. O México, com uma alta de 10%, passou a ter 3,3 milhões de unidades produzidas, superando a fabricação nacional e virando líder na região.
Os números do Brasil vão na contramão dos de países ricos e dos emergentes. No mundo, segundo organização, o setor automotivo cresceu 3% em 2014 e, neste ano, deve assistir a outra expansão de 3% - tanto em produção quanto em vendas.
Em 2014, foram fabricadas em todo o mundo 89,5 milhões de unidades - um novo recorde. Segundo as projeções da entidade, o volume deve chegar a 91 milhões em 2015 e, em 2020, a meta é de atingir 100 milhões de carros por ano.
Para o secretário-executivo da Oica, Yves van der Straaten, não resta dúvidas: "A crise acabou". Entre 2007 e 2009, a produção mundial havia despencado de 73 milhões de unidades para 61 milhões.
No Brasil, no entanto, além da produção, as vendas também sofreram. Elas caíram 7%, para 3,4 milhões de unidades em 2014. O País se manteve como o quarto maior mercado do mundo, mas passou a ter sua posição ameaçada pela Alemanha, que registrou uma expansão de vendas de 3,3 milhões. Neste ano, o País pode perder essa posição se as previsões publicadas pelo setor no início da semana se confirmarem. Segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas sofrerão uma queda de 10% em 2015.


