Agência Folha
De São Paulo
O orçamento mexicano para 2000 prevê poucas alterações para o país. Ele reflete as intenções de Ernesto Zedillo, presidente do México, que quer evitar qualquer mudança brusca em seu final de governo. O orçamento tem metas prudentes de crescimento (4,5%) e prevê o controle da inflação, que tem como meta o teto de 10%.
Zedillo, que deixará o poder em dezembro de 2000, quer evitar uma crise de transição, como a que enfrentou em 1994. ‘‘Prefiro optar pela prudência nas projeções, para que meu sucessor encontre uma economia estável’’, afirmou Zedillo. O orçamento mexicano foi apresentado na quinta-feira pelo ministro da Fazenda, José Angel Gurría, ao Parlamento.
O governo fixou objetivos moderados de crescimento – 4,5%, em vez dos 5% anteriormente anunciados. O déficit público está estimado em 1% e o déficit em conta corrente, em 3,1%. O gasto total, próximo dos US$ 125 bilhões, deverá crescer 3,4% em relação a este ano.
Os recursos irão para o pagamento da dívida pública (17,3%), transferências aos estados (13,5%) e outras necessidades do governo (68,2%). Entre as necessidades do governo estão os gastos sociais, que absorverão cerca de 60,7% – perto de US$ 48 bilhões –, o que representa 5,9% mais do que em 99. A oposição criticou o orçamento e acusou o governo de estar fazendo marketing eleitoral.
O orçamento foi recebido com pouco entusiasmo por analistas e dirigentes empresariais, que o consideraram previsível. Os estudiosos da economia mexicana afirmam que faltam muitas medidas para avançar a reforma estrutural que o país precisa.
Do mesmo modo, faltam alicerces para que sejam possíveis as reformas fiscais e da lei de garantias e quebras bancárias, consideradas instrumentos imprescindíveis para o desenvolvimento econômico do país. ‘‘Acho que esse orçamento se ajusta às condições da economia mexicana’’, afirmou o presidente do Conselho Coordenador Empresarial (CCE), Jorge Marín Santillán.

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