Brasília - Depois de se reunir por duas horas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Itamaraty, o presidente do México, Vicente Fox, deu ontem um passo mais ousado. Em pronunciamento conjunto com Lula, Fox admitiu que, além de formalizar o pedido de adesão do seu país ao Mercosul, como membro associado, tem ''plena disposição'' para assinar um acordo de livre comércio com o bloco econômico. ''São idéias assim que vão construindo a nova arquitetura da América Latina'', comentou Fox.
Animado, Lula disse que a proposta será apresentada amanhã na reunião dos presidentes do Mercosul em Puerto Iguazú, na Argentina. ''Lá passaremos a escrever outro importante capítulo de nossa história comum: o da aproximação e integração entre México e Mercosul'', observou.
Para Lula, o avanço nas relações entre Brasil e México depende única e exclusivamente de ''disposição política''. O presidente garantiu que o Brasil, ao assumir a presidência temporária do bloco, trabalhará nos próximos dois anos para que o processo de integração seja acelerado. No ano passado, o fluxo comercial entre os dois países alcançou US$ 3,2 bilhões. ''Hoje, o México é o quinto maior mercado para as exportações brasileiras'', comentou Lula. A meta, segundo o secretário de Economia do México, Fernando Canales Clariond, é aumentar o comércio bilateral em 30%.
Gafe - O pronunciamento dos dois presidentes foi feito em clima de extrema cordialidade. Nem mesmo a falha no cerimonial do Itamaraty - que reservou para Fox justamente o microfone sem som - irritou o mexicano. Sorridente, ele continuou dirigindo rasgados elogios ao brasileiro até que o microfone fosse trocado.
Na opinião de Fox, Lula tem feito ''importantes transformações'' no Brasil e demonstra ''visão de futuro''. ''Encontramos um líder forte, capaz de equilibrar as políticas de desenvolvimento e crescimento da economia em um mundo global e altamente competitivo'', argumentou. ''Um líder que está ao lado dos pobres, conseguindo resultados importantes na redução da fome e da miséria.'' Fox disse que apoiará o brasileiro nessa empreitada. Os dois deverão se encontrar novamente antes da reunião da Organização das Nações Unidas (ONU), em setembro.
O presidente do México citou ainda a importância do intercâmbio comercial com a Embraer e o compromisso de trabalho conjunto na produção agropecuária. ''Mas, nessas negociações, temos de ser cuidadosos para evitar prejudicar os produtores dos dois lados'', ressalvou Fox.
A parceria atual também envolve cooperação científica e tecnológica, em especial no setor energético. ''A presença da Petrobras no México é um indicador seguro desse avanço'', afirmou Lula.

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