México é candidato a novo foco de tensão
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 30 de junho de 1998
Agência Estado 
O surgimento de novos focos de tensão internacional na semana passada, com as crises no Chile, Venezuela e África do Sul, provoca o ressurgimento de um clima de suspeitas generalizadas em relação aos países emergentes. Analistas apontam qual é o próximo candidato a ser responsável por turbulências nos mercados. O Departamento Econômico do Bicbanco introduz, em relatório distribuído aos clientes, o México como postulante ao cargo de novo país-problema.
Diante de tantas turbulências de âmbito internacional, fica até difícil identificar quais seriam os principais focos de instabilidade, para onde devemos concentrar nossas atenções, afirma. No momento atual, destacaríamos o México.
O peso mexicano atingiu 9,05 pesos por dólar, acumulando uma queda de quase 7% em menos de dois meses, aponta o Bicbanco. Os fundamentos mexicanos começam a revelar sinais de deterioração, acrescenta. A economia segue com crescimento elevado (7% ao ano), a balança comercial registra sucessivos déficits desde meados do ano passado, a taxa de câmbio está nos níveis pré-crise de 1994, a taxa real de juros é de 2% ao ano (17% nominais para uma inflação de 15% ao ano) e as reservas correspondem a apenas três meses de importação.
Conclui a instituição que o México é o candidato natural com capacidade de provocar mais instabilidade para os mercados de papéis brasileiros negociados no exterior (bonds e ADRs), com intensidade superior ao potencial apresentado pela Rússia, Chile, Venezuela e África do Sul.
O México tem ainda o problema adicional de enfrentar forte queda de receita cambial das exportações de petróleo, que respondem por 10% de toda a exportação mexicana, diz o Bicbanco. A situação econômica desse país inspira maior atenção, podendo ser a médio prazo um novo foco de tensão dos mercados.
O Bicbanco também cita a situação dos países que estão no centro (Japão e Rússia) ou na periferia da crise financeira global:


