Mexicanos não querem Wal-Mart em zona arqueológica
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domingo, 05 de setembro de 2004
Reuters 
Teotihuacan, México - Moradores locais querem que a Justiça impeça o Wal-Mart, maior grupo varejista do mundo, de construir uma nova loja à sombra das pirâmides colossais de Teotihuacan, nas proximidades da Cidade do México. O local, um dos maiores sítios arqueológicos do país, foi escolhido pela rede norte-americana para a construção de uma Bodega Aurrerá, um dos cinco formatos de loja do Wal-Mart. A loja deve ser inaugurada em dezembro.
''Não é apenas o comércio do lugar que será afetado. Isso afetará primeiro a nossa alma, nossa identidade'', disse o maestro Emanuel D'Herrera, que iniciou um processo judicial para deter a construção da loja. Quando seu filho nasceu, D'Herrera enterrou o cordão umbilical do bebê entre os antigos templos, para proteção da criança. ''Somos mexicanos e estamos muito orgulhosos da nossa história'', acrescentou. ''Uma das principais características de nossa cultura e história é Teotihuacan.''
Em meio à polêmica, o governo mexicano informou na sexta-feira que um pequeno altar pré-hispânico foi desenterrado no local onde será o estacionamento da loja, localizada em uma área comercial dentro da zona arqueológica. A construção se estende por cerca de 1,6 quilômetro da entrada do parque turístico que contém as principais ruínas e é visível do alto da Pirâmide do Sol, que se impõe no horizonte há mais de 2 mil anos.
A Wal-Mart do México, propriedade integral do grupo norte-americano de mesmo nome, tem autorização dos governos municipal e estadual para construir a loja. Além disso, arqueólogos federais que monitoram a construção dizem que ela não constitui nenhuma ameaça às ruínas e autoridades asseguram que muita gente apóia a abertura da loja, que proporcionará novos empregos e oferecerá preços baixos. ''É uma oportunidade para o desenvolvimeno'', disse o secretário Jorge López.


