Metrô do Rio consegue ágio de 921,22%
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de dezembro de 1997
Agência Estado Rio de Janeiro 
Raimundo Valentim/AE
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)
VendidoSecretários estaduais do Rio, representantes da Bolsa Rio e do Metro batem o martelo após leilão Com um surpreendente ágio de 921,22%, o segundo maior já verificado no Brasil, o governo do Estado do Rio de Janeiro privatizou ontem, em leilão pelo sistema de envelopes fechados, a concessão da Companhia do Metropolitano do Rio de Janeiro - Metrô. Venceu o leilão o consórcio Opportrans, formado pelo grupo argentino Cometrans e pelo Banco Opportunity, por intermédio da sua empresa Sorocaba Empreendimentos e Participações.
O preço mínimo era de R$ 28,560 milhões, mas o consórcio levou a perplexidade ao pregão da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, onde se realizou o leilão, ao oferecer R$ 291,660 milhões, equivalentes a US$ 261,672 milhões. O espanto dos que estavam assistindo à operação - incluindo os representantes do governo - foi tão grande que as comemorações ao final do leilão, geralmente ruidosas, terminaram um tanto contidas. O clima beirava o constrangimento.
Na realidade, mesmo que o Opportrans não tivesse participado, o ágio no leilão teria sido enorme. O segundo maior lance, dado pelo consórcio Metro-Rio (B), que juntou a Regie Autonome Des Transports Parisiense-RATP (controladora do metrô de Paris), a Construtora Andrade Gutierrez e a Guanabara Diesel, companhia das empresas de ônibus do Rio, chegou a R$ 205,560 milhões, portanto com um sobrepreço de 619,74%. Até mesmo o menor lance surpreendeu: R$ 111,111, um ágio de 289,04%.
Esta oferta foi feita pelo consórcio Metro-Rio (A), formado pela empresa argentina Emepa pelo grupo brasileiro MPE-Montagens e Projetos Especiais, que atuou fortemente nos leilões das malhas da Rede Ferroviária Federal. O outro consórcio em disputa, o Caiscais, tinha como integrantes a Companhia Bozano, Simonsen e a argentina Metrovias e deu como lance R$ 133,728 milhões, com ágio de 368,24%. Como a Argentina já tem uma boa experiência acumulada em operação privada de metrô e outros transportes urbanos, dos quatro consórcios inscritos, somente o Metro-Rio (B) não contava com um representante deste País.
O ágio foi tão grande que a parte que o governo fluminense deverá receber em dinheiro vivo, à vista, será de quase R$ 60 milhões, ou seja, o dobro do preço mínimo total. De acordo com o edital de venda, 30% do preço deve ser pago à vista (R$ 87,5 milhões), mas o governo aceita que o pagamento seja feito em Certificados de Privatização do Estado (CPs).
Só que existem hoje no mercado apenas cerca de R$ 30 milhões em CPs, por isso a parte em dinheiro vivo deverá ficar em torno de R$ 60 milhões. O restante será pago em parcelas mensais, por 20 anos, corrigidas pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). A primeira parcela vencerá após a inauguração das estações que estão sendo construídas pelo Estado, prevista para o período entre abril e junho.
O Metrô do Rio tem hoje 25,4 quilômetros de extensão e transporta 350 mil passageiros por dia. Quando forem inauguradas novas estações, em um total de 10 quilômetros de linhas a mais, ele chegará a 35,5 quilômetros, todos sob a responsabilidade do consórcio Opportrans. O prejuízo causado pela operação do Metrô, hoje, é de cerca de R$ 75 milhões por ano.


