Ao final de julho a meteorologia já admite que a fase de riscos de um inverno rigoroso está superada, com o fim dos efeitos do fenômeno El Ni¤o (aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico), que este ano já não preocupa. Por sua vez, o La Ni¤a (resfriamento do Oceano Pacífico equatorial) que traria, como efeito, um período de estiagem à região Sul (e excesso de chuvas no Nordeste), também não deve confirmar os prognósticos anteriores.
No Paraná, a Primavera, que começa no dia 22 de setembro, realmente terá menos chuva que o normal, mas não há dados suficientes para caracterizar o período como problemático. A tendência é que a estiagem seja mais severa em direção ao Sul. No caso do Paraná, o Norte e Noroeste serão menos prejudicados.
Caramori: inverno
não acabou, mas
os riscos são menores
daqui para frenteO pesquisador em clima e enchentes do Simepar, Alexandre Guetter, e o coordenador de agrometeorologia do Iapar, Paulo Caramori, admitiram ontem que a preocupação com o clima agora é bem menor e que o impacto do fenômeno La Ni¤a não deve assustar tanto, como se previu anteriormente. Ressalvam, porém, que o inverno ainda não terminou.
Transição O período compreendido entre julho, agosto e setembro de 98 é caracterizado pela transição das condições do El Ni¤o para La Ni¤a. Os técnicos esperam que o regime de chuvas ‘‘seja o climatológico’’, caracterizado pelas médias históricas sem predominância de condições úmidas ou seca. Prevalece a probabilidade de chuvas abaixo do normal para o trimestre outubro-novembro-dezembro nas regiões mais ao Sul.
A hipótese de seca no período do verão é meramente especulativa, a julgar pelas explicações do especialista Alexandre Guetter. Embora seja prematuro desenhar um quadro definitivo, a meteorologia não confirma a possibilidade de estiagem.
A possibilidade de um período de seca na Primavera chegou a ser admitida memos de um mês atrás. Depois o próprio Instituto Nacional de Meteorologia (Inemet) corrigiu a previsão, observando que a estiagem não será excepcional, embora a ocorrência de chuvas deve ser menor, o que também é válido para o Verão.
Exagero Em meados de julho, uma previsão sobre o clima chegou a preocupar a economia dos três Estados do Sul, principalmente o Rio Grande do Sul. ‘‘O Rio Grande do Sul poderá perder até 50% da sua produção agrícola nesta safra por causa dos efeitos do fenômeno La Ni¤a’’, informava a ‘‘Agência Folha’’, dando como fonte o Instituto Nacional de Meteorologia. Mas, esta semana, o próprio Instituto amenizou as previsões: o impacto do La Ni¤a, se houver, não terá essa extensão sobre a agricultura.
Desde maio, os técnicos do Instituto Nacional de Meteorologia vinham acompanhando de perto a queda da temperatura das águas do oceano Pacífico. Esse fenômeno é oposto ao ‘‘El Ni¤o’’, mas produz os mesmos efeitos: seca
intensa em determinadas regiões e chuvas em outras. A seca atingirá agora a região Sul do país. O chefe do Centro de Análise e Previsão do Tempo, Francisco de Assis Diniz, disse que o Rio Grande do Sul sofrerá os maiores efeitos desse fenômeno. Mas não dentro das dimensões anteriores.
Dados do instituto mostram que a seca deverá atingir principalmente as
áreas mais chuvosas no Estado (norte e nordeste) e irá começar já a partir de setembro, persistindo até março de 1999. Nesse período, deverão ocorrer chuvas ocasionais.
Por causa do fenômeno, as massas de ar frio chegarão com mais frequência sobre o Brasil, o que favorece um inverno mais frio que o do ano passado. Em 91, o Rio Grande do Sul perdeu 64,8% da produção de soja por causa do La Ni¤a. A queda foi de 4,092 milhões de toneladas. Na mesma época, as perdas com a lavoura de milho foram também significativas, 28,4%, que representaram uma redução de 3,352 milhões de toneladas. Naturalmente que qualquer previsão semelhante para este ano preocuparia a agropecuária daquele Estado.
La Ni¤a Segundo o técnico, o fenômeno está em sua fase inicial e deverá se estender até meados de 1999. Desde 1985, o La Ni¤a já ocorreu quatro vezes no Brasil. A maior perda deverá acontecer nas lavouras de soja, porque o produto requer muita água. No La Ni¤a, as secas não são prolongadas como no El Ni¤o. Normalmente, a estiagem provocada por esse fenômeno dura entre um e dois meses e ocasionalmente há uma semana de chuvas. Por causa disso, o gado da região Sul não deverá sofrer os mesmos efeitos. Diniz afirmou que a incidência do fenômeno foi prevista no final do ano passado, mas não se sabia ao certo quando as águas do Pacífico começariam a esfriar.
As culturas e a população da região Nordeste, ao contrário, terão mais
chuvas. A previsão é que elas só comecem a partir de janeiro de 1999. Os Estados da região Centro-Oeste e Sudeste também terão mais chuvas, em
níveis acima do registrado em 97. A produção de Tocantins, Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais será beneficiada porque não haverá excessos.

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