Metas de inflação serão flexíveis
Agência Folha
O governo deverá adotar metas de inflação mais flexíveis que as de outros países com experiência nesse sistema. Em outras experiências internacionais, foram adotados alvos mais precisos a serem alcançados. Segundo o diretor de Política Econômica do Banco Central (BC), Sérgio Werlang, o governo deverá fixar uma meta com uma faixa de tolerância maior do que, por exemplo, a inglesa. A meta de inflação inglesa está fixada em 2,5% anuais, com um intervalo de tolerância de um ponto percentual. Ou seja: o banco central inglês deve agir para que a inflação fique entre 1,5% e 3,5% ao ano.
As metas para a inflação do Brasil em 1999, 2000 e 2001 deverão ser divulgadas até dia 30. O governo publicou ontem no Diário Oficial da União um decreto que regulamenta o sistema - que será a nova âncora do real, segundo o presidente do BC, Armínio Fraga. Até janeiro, a âncora do real era o câmbio quase fixo, que tornava os produtos importados mais baratos e segurava os preços dos nacionais. Fraga disse que, com a desvalorização, o real ficou sem âncora. Segundo ele, daqui por diante haveria três caminhos.
O primeiro seria conter a inflação por meio do controle do volume de moeda em circulação na economia. Fraga disse que esse é um regime instável, que hoje nenhum país adota. Outro caminho seria deixar o BC solto para fazer sua política de controle da inflação. Seria um desperdício e um risco inaceitável, disse Fraga, argumentando que a falta de regras poderia levar a um afrouxamento do controle da inflação. A terceira alternativa, adotada, é a meta inflacionária. Fraga disse que esse mecanismo é mais transparente e reduz as incertezas da população quanto à inflação.
O decreto estabelece que o governo é que vai fixar as metas para a inflação e que o BC é que deve persegui-las. O BC agirá para cumprir a meta nas reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária, responsável pela fixação dos juros), que serão mensais (antes ocorriam a cada cinco ou seis semanas). Nessas reuniões, o Copom vão usar modelos econômicos e estatísticos para calcular a inflação provável na hipótese de inação do BC. Se esses modelos indicarem que a inflação foge da meta e do intervalo de tolerância, o Copom deverá tomar medidas para corrigir o desvio. A principal delas é o aumento ou a redução dos juros.





