Metas de inflação serão anunciadas hoje
Das Agências
O ministro Pedro Malan (Fazenda) anuncia hoje, depois da reunião do CMN (Conselho Monetário Nacional), as metas de inflação para 99 e para os dois próximos anos. Neste ano, a meta de inflação deverá ficar em 6%, com uma variação de dois pontos percentuais para cima e para baixo.
A definição das metas de inflação é uma prerrogativa do ministro da Fazenda, mas caberá ao Banco Central adotar as medidas necessárias para garantir o cumprimento da meta, que será medida pelo IPCA (Indice de Preços ao consumidor Ampliado) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O sistema de metas de inflação brasileiro será mais flexível do que aqueles adotados por outros países. No Brasil, o governo decidiu não expurgar do cálculo do IPCA nenhum tipo de variação de preços, como é feito em outros países. É uma tentativa de garantir a transparência do novo mecanismo.
A meta será cumprida se a inflação medida pelo IPCA ficar dentro do intervalo fixado pelo Ministério da Fazenda. Isto é, a inflação anual medida por esse índice não poderá ficar nem acima nem abaixo da meta fixada. Caberá ao Banco Central monitorar isso e informar ao Congresso Nacional eventuais motivos de descumprimento da meta.
O diretor de Política Econômica do BC, Sérgio Werlang, disse que a tendência do governo é fixar uma inflação descendente nos próximos anos. Ou seja, a meta do próximo ano será inferior à deste ano e a meta do ano 2001 deverá ser ainda menor. A partir de 2002, o governo quer fixar uma meta próxima de 2,5% ao ano. Pelas regras já anunciadas pelo governo, a cada ano sempre serão conhecidas a meta do ano em curso e dos dois anos seguintes.
Em entrevista ao programa Jô Soares 11 e Meia, do SBT, o ministro Pedro Malan disse, ontem, que não acredita que o reajuste das tarifas públicas vá provocar um aumento generalizado de preços. Vivemos num país desindexado, disse. Malan afirmou que, se o governo mantivesse o preço da gasolina, apesar da alta do preço do petróleo no mercado internacional e da movimentação do câmbio, seria subsidiar os consumidores.
Vários segmentos econômicos, depois do aumento dos combustíveis, mostraram-se decididos a reajustar seus preços, entre eles os ônibus interestaduais e os transportadores de cargas.
Durante a entrevista, Malan fez comentários positivos a respeito dos cinco anos do Plano Real, que fará aniversário amanhã. Em todos os anos do Plano Real, o Brasil teve crescimento econômico, ainda que tenha sido pequeno no ano passado e possa ser praticamente nulo este ano, afirmou. O importante é que, no ano 2000, as nossas perspectivas de crescimento são de 4%, e vamos seguir adiante nessas mesmas bases de expansão. O ministro se recusou a comentar as metas inflacionárias. Eu sou contra informações privilegiadas, afirmou o ministro.





