O agravamento da crise financeira mundial fará com que o crescimento das exportações brasileiras seja ainda menor do que o que se esperava em meados do ano. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) está novamente revendo as projeções do saldo da balança comercial para este ano e os técnicos da entidade consideram que não há possibilidade de que seja alcançada a meta estipulada pelo governo de exportar US$ 100 bilhões até 2002. O objetivo foi fixado no início do mês, durante o anúncio do Programa Especial de Exportação (PEE).
‘‘Para chegar a este patamar seria necessário um crescimento de 11% ao ano, inclusive agora em 1998’’, afirma a economista Maria do Perpétuo Lima, que coordenou a edição de agosto do boletim Comércio Exterior em Perspectiva, divulgado ontem pela CNI. No mês que vem, a entidade deve publicar uma revisão da expectativa para a balança comercial que, pelas estimativas técnicas de junho, apresentaria déficit de US$ 5,5 bilhões.
Este seria o resultado do crescimento de 5,7% nas exportações, que acumulariam no ano US$ 56 bilhões, enquanto as importações ficariam em US$ 61,5 bilhões. Para a equipe técnica da CNI, as taxas de crescimento serão mais baixas, mas a situação internacional ainda não permite um cálculo exato do desempenho. ‘‘Estamos acompanhando a evolução do cenário, que ainda está muito turbulento’’, diz Maria do Perpétuo.
‘‘É necessário analisar em detalhes qual o impacto da moratória russa sobre a crise de confiança nos mercados emergentes e o nível de retração da demanda comercial’’, afirma. Além da queda da demanda, a crise deverá puxar ainda mais para baixo as cotações das commodities.
O déficit comercial de agosto, influenciado essencialmente pela greve dos funcionários da Receita Federal e por problemas técnicos no Siscomex (sistema informatizado de controle das exportações), foi segundo maior do ano: US$ 666 milhões. A queda no valor exportado foi de 21,4% em relação a agosto de 1997. O governo já reviu as estimativas de crescimento para o ano, situando-as entre 5% e 6%, taxa inferior à prevista no fim do ano passado. Os índices governamentais ainda são considerados otimistas pela indústria.Arquivo FolhaObjetivo distantePara exportar US$ 100 bilhões até 2002, como quer o governo, País teria que crescer 11% ao anoAgência Estado

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