Metalúrgicos vão reduzir greves para melhorar imagem
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terça-feira, 13 de maio de 1997
Agência Estado de São Paulo 
Arquivo FolhaFama antigaGrandes paralisações aconteceram nos anos 70 e 80, mas categoria conserva imagem do grevismoOs metalúrgicos do ABC devem aprovar no final de semana meta de redução do número de greves na sua base, de 120 mil trabalhadores. A proposta, em debate no congresso da categoria, que termina domingo, pode parecer polêmica, mas conta com apoio de comissões de fábrica e lideranças. A greve, afirmou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, tornou-se um instrumento de barganha caro demais para trabalhadores e para empresas. Além disso, a imagem de uma categoria adepta do grevismo - imagem que há anos já não corresponde à realidade - estanca investimentos na região.
As grandes paralisações, segundo Marinho, foram uma forma eficiente de luta nos anos 70 e 80. Continuará a ser usada contra empresas e empresários que pararam naquele tempo e se recusam a negociar com seriedade. Para Marinho, a redução do número de greves, mais do que uma resolução, é uma constatação do movimento sindical.
Para o diretor da Força Sindical e presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Paulo Pereira da Silva, o sindicato do ABC, filiado à CUT, não está tomando nenhum decisão, de fato. O movimento sindical não faz greve porque não tem condições, a conjuntura já não permite, disse. Transformar isso numa decisão de congresso é estranho: não existe uma mudança de política mas sim uma tentativa de mudança de imagem na sociedade.
A idéia de reduzir o número de greves não espantou dirigentes da CUT. O presidente da Federação dos Metalúrgicos da Central, Paulo Sérgio Ribeiro Alves, afirmou que o tempo de levar mobilizações para fora da fábrica, caso das greves que deixavam empresas desertas e máquinas paradas, está no fim. Uma boa organização no local de trabalho, com pressão cotidiana e negociação constante, leva a melhores conquistas, afirmou.
Segundo Alves, a proposta não causa polêmica na base, que também mudou. O perfil do metalúrgico hoje é de um trabalhador com segundo grau completo e, muitas vezes, curso universitário. A constatação de que os trabalhadores mudaram, é compartilhada pelo coordenador da comissão de fábrica da Volkswagen, Clarindo Ferreira. Ele lembrou que desde 1993 não há uma paralisação geral na montadora. Antes, bastava colocar um caminhão de som na porta da fábrica, fazer um bom discurso e estava deflagrada uma greve, disse. Hoje isso não atrai o nosso pessoal.
A desindustrialização no ABC é uma das causas da tentativa do sindicato mudar sua imagem. A mobilidade do capital hoje não é apenas internacional, mas também interno. Empresas buscam cidades onde há incentivos fiscais e mão-de-obra mais barata e menor organizada para se expandirem ou até transferirem suas instalações. O custo médio de um trabalhador nas montadoras do ABC hoje é de US$ 14 por hora. Em Betim (MG), onde está instalada a Fiat, é de US$ 7.


