Curitiba - Os metalúrgicos do Paraná anunciaram ontem as perspectivas de negociação salarial com as montadoras para 2012. A partir de abril já começa a discussão da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e, em agosto, inicia a negociação do reajuste salarial. A data-base da categoria é em setembro. Para este ano, os trabalhadores pretendem reivindicar 3% de aumento real e uma PLR de R$ 18 mil para a Volvo e de R$ 15 mil para a Volkswagen. Nesta última montadora, o único ponto já acertado é o valor da primeira parcela da PLR de R$ 6.136 que será paga em 15 de maio.
A Renault não vai entrar na negociação de 2012 porque, no ano passado, fechou um acordo até 2013. Em agosto do ano passado, os 6 mil trabalhadores da empresa conquistaram um pacote que inclui R$ 61.500 de PLR mais abono salarial e 20,19% de aumento real nos salários e sem greve. Em 2012, os funcionários da montadora francesa vão receber R$ 15 mil de PLR e 3% de aumento real.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, Sérgio Butka, disse que no ''Paraná só se avança com greve'' durante as negociações salariais. Ele acredita que a negociação mais difícil vai ser na Volkswagen. No ano passado, os trabalhadores fizeram 37 dias de greve durante a campanha salarial. Os dias parados foram descontados dos salários e tiveram um valor total, em média, de R$ 2 mil. Mas, segundo os sindicalistas, como os salários variam de R$ 1.647 a R$ 5 mil, teve trabalhador que chegou a ter um desconto de R$ 6 mil. Segundo ele, a PLR na Alemanha é de R$ 17 mil e o salário quatro vezes maior.
O supervisor técnico do Dieese, Cid Cordeiro, disse que os reajustes salariais não têm comprometido a competitividade da indústria paranaense que é afetada por juros e carga tributária alta e pelo câmbio. No primeiro bimestre deste ano, a produção das montadoras do Paraná teve crescimento, com exceção da Volkswagen que ficou estável, segundo dados da Anfavea e do Dieese. Para automóveis, a Renault apresentou crescimento de 19,1%, a Nissan de 135,10%. Em comerciais leves, o crescimento da Renault foi de 261,4% e da Nissan de 22,7%. A Volvo teve uma elevação de 19,5% na produção de caminhões e de 432,7% na de ônibus.

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