Metalúrgicos vão arrecadar alimentos
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terça-feira, 19 de janeiro de 1999
Agência Estado 
Os metalúrgicos da Ford fizeram ontem assembléia com quase quatro mil pessoas no pátio da empresa e carreata com cerca de 300 veículos em duas das quatro pistas da Via Anchieta. Por fim, lotaram o salão do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC para discutir as manifestações nos próximos dias e a preparação de arrecadação de dinheiro e alimentos, no Brasil e no exterior, para sustentar o movimento pela manutenção de seus empregos.
Mesmo em licença remunerada desde ontem e sem o transporte habitual feito pelos ônibus fretados, eles conseguiram por mais um dia resistir à decisão da empresa de demitir 2,8 mil funcionários. Levantaram cedo e desde as seis horas foram chegando na fábrica a pé, de carro, carona ou transporte coletivo. Foi o 15º dia de mobilização.
O secretário-geral do sindicato, Carlos Alberto Grana, informou que a Ford não conseguiu fazer com que os demitidos desistissem da briga por seus empregos quando colocou à disposição as verbas da rescisão contratual. Dos dispensados, somente 12 foram retirar o dinheiro. Os demais seguiram orientação sindical de ignorar o corte de 41% do efetivo e continuar à disposição da empresa.
Na quarta-feira os demitidos não receberão o adiantamento de salários como os demais e o sindicato está montando uma estrutura considerável para que eles tenham como sobreviver. Os colegas da Volkswagen e da Mercedes-Benz já se comprometeram a doar duas horas de trabalho cada um, e os da Ford, que continuam empregados, vão doar 10 horas.
Uma conta especialmente aberta para o fundo de solidariedade aos demitidos receberá dinheiro de sindicatos de todo o País, de centrais sindicais internacionais e de quem mais se dispuser a ajudar. A coleta no Congresso Nacional começou ontem. Os metalúrgicos começam a receber também doações em alimentos. O Comitê de Cidadania do Rio de Janeiro doou duas mil cestas básicas, que chegarão a São Bernardo ainda esta semana.
Hoje não haverá manifestações e nem assembléias na fábrica. A quarta-feira foi reservada para a militância coletar dinheiro nas outras montadoras. Já na quinta-feira, eles pretendem dar nova demonstração de força, colocando mais de 20 mil metalúrgicos de todas as montadoras em passeata pela Via Anchieta. E esperam que até lá a Ford abra negociação.
Os metalúrgicos de São Caetano do Sul tiveram uma boa notícia ontem. A General Motors reduziu o número de trabalhadores que ficarão afastados por cinco meses, recebendo 80% dos salários líquidos. Da lista inicial de mil excedentes, apenas 750 casos foram confirmados.


