Os metalúrgicos terão 10,52% de aumento salarial. Depois de seis meses de negociações salariais, a nova Convenção Coletiva de Trabalho foi fechada ontem de manhã entre os sindicatos das Indústrias e dos Trabalhadores, durante reunião na Delegacia Regional do Trabalho. O acordo, retroativo a 1º de dezembro do ano passado (data-base da categoria), eleva o piso da categoria de R$ 583 para R$ 645. As diferenças salariais terão que ser pagas em duas parcelas: 15 de junho e 15 de julho. Cerca de 12 mil metalúrgicos de toda a região de Londrina receberão a diferença salarial.
Na terça-feira, funcionários da Atlas/Schindler fizeram paralisaram atividades durante toda a manhã. A greve, definida em assembleia realizada na porta da empresa, teve por objetivo pressionar o sindicato patronal a negociar e fechar a Convenção Coletiva. ''Esse (aumento de 10,52%) era o nosso pedido. Foi o maior reajuste do Brasil'', comemorou Sebastião Reimundo da Silva, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Londrina e Região. O órgão já havia fechado duas convenções dos sindicatos de Trabalhadores em Reparação de Veículos e em Retíficas.
Em janeiro, as indústrias metalúrgicas já haviam antecipado reajuste de 7,2% aos trabalhadores, índice referente à inflação registrada no período. ''O acordo foi bom, só lamento a demora. Nenhuma categoria conseguiu um índice de reajuste como o nosso'', frisou Silva. Já o presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Materiais Elétricos de Londrina (Sindimetal), Valter Orsi, informou que o órgão concedeu o índice de reajuste pedido pelos trabalhadores, mas conseguiu negociar a não inclusão de abonos e da taxa de qualificação de mão-de-obra.
A reivindicação era o pagamento de R$ 13 por funcionário (assumido pela empresa), que seria destinado à criação de um seguro de vida e de um auxílio funeral. ''Direcionamos todo o índice ao salário e revertemos em favor do trabalhador'', explicou Orsi. Ele acrescentou que o período é delicado, a partir da recessão registrada em outros países. ''Clima de instabilidade não favorece nem empresas, nem trabalhadores'', argumentou.
Comerciários
Ainda falta fechar a Convenção Coletiva de Trabalho dos comerciários. Estes trabalhadores formam uma das maiores categorias da região, com cerca de 25 mil pessoas. A data-base foi no dia 1º de maio e uma das principais reivindicações é o reajuste salarial de 15%. O percentual foi tirado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que até março havia ficado em 5,20%, mais a projeção de um ganho real. O piso atual da categoria é R$ 560 para os comissionados, enquanto os funcionários empregados nas demais funções têm salário de R$ 523.
Segundo a presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Londrina (Sincoval), Nájila Nabhan, os empresários irão se reunir na próxima semana para discutir uma contra-proposta. Na próxima sexta-feira também está marcada a primeira rodada de negociações com o Sindicato dos Empregados no Comércio. Sem adiantar detalhes, ela disse que, a princípio, o pedido de reajuste de 15% seria inviável.

mockup