Metalúrgicos temem fuga da Renault
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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2003
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba O Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba e Região vai pressionar a Renault para trazer ao pólo automotivo do Paraná a linha de montagem para a produção mundial de um novo veículo que será lançado em breve pela montadora francesa. Os metalúrgicos estão preocupados com a possibilidade de a Renault fechar as portas da fábrica de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, já que o principal veículo produzido, o Clio, vem perdendo mercado e não tem competitividade para concorrer com os veículos populares produzidos por outras montadoras.
A fabricação de um novo modelo da Renault está sendo disputada pelo Paraná, México e Turquia. Se o Paraná não ganhar essa disputa, dificilmente a fábrica instalada em São José terá condições de acompanhar o crescimento previsto pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), de que este ano as exportações de veículos vão crescer numa média de 20% a 30%, disse Sergio Butka, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos.
Para se ter uma idéia, no desempenho de 2002, a produção de veículos de passageiros no Paraná caiu 18,27%. A montadora que menos vendeu foi a Renault, que produziu 24 mil veículos a menos em relação a 2001. A queda na produção em 2002 foi de 34,3%, apontou o balanço da produção e emprego do pólo automotivo do Paraná de 2002, divulgado ontem, pela diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos. Os metalúrgicos não acreditam que a montadora se sustente no mercado, mantendo a produção do Clio.
Entre fatores que influenciaram nessa queda, segundo Butka, está a perda do mercado argentino, que derrubou à metade as exportações da montadora, e a falta de renovação do Clio, principal veículo produzido no Paraná. De acordo com o metalúrgico, o produto é caro, em torno de R$ 23 mil a unidade, quando comparado com as versões de carros populares de outras montadoras.


