Metalúrgicos rejeitam salário menor
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quinta-feira, 04 de dezembro de 1997
Agência Folha São Bernardo do Campo 
Maurilo Clareto/Agência Estado
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Proposta indecenteAssembléia dos metalúrgicos da VW, ontem: não à redução da jornada e do salárioMetalúrgicos da unidade da Volkswagen em São Bernardo do Campo (Grande São Paulo) rejeitaram ontem a proposta apresentada pela empresa de redução de 20% na jornada de trabalho e nos rendimentos de seus funcionários. A decisão dos metalúrgicos foi tomada em assembléias realizadas na porta da Volks durante as entradas e saídas de turnos.
A primeira assembléia, às 5h30, reuniu 10 mil metalúrgicos, segundo o sindicato da categoria. Aconteceram assembléias às 6h30, 7h30, 13h30 e 14h30, esta última com 5.000 metalúrgicos. Em São Bernardo, a Volks tem 22 mil funcionários.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (ligado à CUT), Luiz Marinho, 38, disse que uma das alternativas a ser discutida com a empresa é aperfeiçoar a discussão sobre o banco de horas com jornada flexível. Mas isso é insuficiente.
A Volkswagen, por meio de sua assessoria de imprensa, disse ontem que mantém a proposta de redução de jornada de trabalho e de salário em 20% e que as negociações com o sindicato continuam até o final do mês. Marinho sugeriu que o sindicato, as montadoras e a cadeia produtiva devam se unir para, juntos, pressionar o governo para abrir uma negociação tripartite. Queremos discutir alternativas que apontem para a retomada das vendas e para a retomada da economia. Nós não aceitamos de forma alguma nem demissão em massa nem redução de salário.
Pela proposta da Volks, a redução dos rendimentos recairia sobre o 13º salário, o adicional de férias e a Participação nos Lucros. Segundo Marinho, se a proposta fosse aceita, os trabalhadores não receberiam esses três benefícios em 98.
A subseção do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) no sindicato calculou que a soma dos três daria um desconto de 18,3% nos rendimentos dos metalúrgicos - 1,7 ponto percentual a menos que os 20% proposto pela empresa.
Marinho disse que a redução de 20% por ano dos rendimentos de todos os trabalhadores da Volks significa US$ 134,5 milhões. Retirar esse dinheiro da economia significa potencializar a recessão, avaliou. Para ele, o banco de horas é um mecanismo bastante positivo para preservar o emprego. Mas tem suas limitações e, portanto, é preciso buscar uma negociação junto ao governo e à empresa, afirmou.
A flexibilização da jornada de trabalho, dentro do acordo que criou o banco de horas nas montadoras há dois anos, prevê variação de 36 a 44 horas semanais, de acordo com o ritmo da produção. A jornada-base da categoria é de 42 horas semanais. Assim, se o trabalhador fizer mais horas-extras do que a jornada-base, elas vão para o banco de horas. Se fizer menos, ele fica em débito com o banco e paga quando a produção for acelerada.
O presidente do sindicato afirmou que, se a Volks não aceitar negociar e demitir os trabalhadores, haverá enfrentamento com a categoria. Se a Volkswagen se meter à besta e querer aplicar a demissão por causa da não-aceitação da proposta, vai ter muita briga por aqui, vai ter guerra nesse ABC, afirmou ao final da primeira assembléia.


