São Paulo - Os presidentes dos três sindicatos dos metalúrgicos do ABC, que representam aproximadamente 140 mil trabalhadores, defenderam no início da tarde de ontem a união das bases, passando por cima das divergências entre CUT e Força Sindical, para enfrentar o processo de demissões já desencadeado nas indústrias e a proposta do empresariado de redução da jornada com corte de salários.
Como primeira atividade conjunta, representantes de São Bernardo estarão hoje, às 13h30, em frente à Magneti Marelli Cofap, em ato promovido pelos metalúrgicos de Santo André contra a ameaça de demissão de 150 operários.
Sérgio Nobre, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (São Bernardo, Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra), filiado à CUT, e Cícero Firmino da Silva, o Martinha, do sindicato de Santo André e Mauá, e Aparecido Inácio da Silva, o Cidão, de São Caetano, filiados à Força Sindical, reivindicaram ainda que o Governo Federal ''tem que decretar estabilidade de seis meses'' nas empresas que tenham recebido auxílio dos cofres públicos.
Nobre, que ocupa a cadeira que no final dos anos 70 e início de 80 foi do hoje presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, entende que o governo ''tem papel fundamental'' nesse processo e afirma que ''o governo está fazendo o papel correto'', mas destaca que a solução ''não é transferir o custo para o Estado''.
Cidão, filiado ao PDT do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, reforçou a entrevista de Lupi ao Grupo Estado na quarta-feira, quando afirmou que há empresários ''espertos'' que estão forçando a mão nas demissões para conseguir socorro do governo, e disparou: ''Quem está gerando isso são os empresários, que ficam amedrontando uma parcela de sociedade com esse discurso de crise, para justificar as demissões, já que hoje o custo/benefício das dispensas é altamente vantajoso para as empresas, sai mais barato.''
Os dois filiados à Força Sindical, ao contrário das manifestações de líderes nacionais da central, manifestaram-se radicalmente contra a proposta do empresariado de redução da jornada com corte de salários sem o compromisso de estabilidade. ''Isso não existe, nossos representantes que estiveram nessa reunião voltaram com a convicção de o fechamento de qualquer acordo passa por garantias mínimas, até porque o piso salarial do metalúrgico em Santo André hoje é de pouco mais de 800 reais, é um piso miserável, quando pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socio-econômicos) deveria ser de R$ 2.300,00'', disse Martinha.

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