O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista, Luiz Marinho, quer que o governo federal negocie com as montadoras e as entidades sindicais a criação de um acordo nos moldes do que foi feito em 1992 para evitar que haja mais demissões no setor. Naquele ano, o governo reduziu as alíquotas de IPI e ICMS e as empresas reduziram a margem de lucro, o que, segundo ele, teria gerado queda de 22% no preço final dos veículos. O acordo foi costurado pela extinta Câmara do Setor Automotivo.
‘‘Aquele acordo evitou não só as demissões, mas gerou novas contratações. Se o governo tem problema com nome Câmara Setorial, ele pode escolher o nome que quiser, desde que haja uma negociação que passe pela discussão da política econômica e que crie impacto para a retomada do consumo e, consequentemente, da demanda de produção’’.
Marinho vai apresentar a sugestão ao ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, hoje em Brasília. Um novo acordo, segundo ele, deveria contemplar também incentivos à exportação, restrição à importação e renovação de frota. ‘‘Queremos que o governo assuma sua responsabilidade. (O governo) Não pode dizer não é comigo. Eu não tenho como discutir esses temas com a Ford ou com qualquer empresa’’, disse.
O sindicalista, que se encontrou ontem com o governador de Minas, Itamar Franco (PMDB), disse que vai falar com outros governadores para tentar sensibilizá-los sobre a necessidade da criação de um novo acordo. Ele disse já ter se reunido com o governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra (PT), e o vice de São Paulo, Geraldo Alckmin. Quer agendar com o pedetista Antony Garotinho (RJ) e com o tucano Mário Covas (SP). ‘‘Queremos construir um sentimento e um movimento nacional para que o governo federal ouça o problema e pense medidas que criem impacto e retomada da produção no Brasil’’, disse.
Segundo Marinho, as entidades sindicais podem expandir para outras empresas, as manifestações que estão sendo feitas pelos trabalhadores demitidos da Ford, caso haja novas demissões em massa. Hoje, o sindicato promove ato para comemorar o ‘‘Natal’’ dos trabalhadores que foram demitidos no final do ano. Para a próxima semana, está sendo organizada uma manifestação com participação de todos os trabalhadores do setor para pressionar o governo a interferir, no sentido de se fazer novo acordo para garantir os empregos.

mockup