Metalúrgicos querem negociar com empresas
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sexta-feira, 22 de setembro de 2006
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Com a greve dos metalúrgicos da Volvo, Renault e Volkswagen, iniciada na última quarta-feira, deixaram de ser fabricados até ontem 3.522 veículos, 1.200 motores, 80 caminhões e 12 ônibus. As empresas ainda não avaliaram os prejuízos que foram gerados pela paralisação. Segundo dados do Sindicato dos Metalúrgicos, confirmados pelas empresas, na Volkswagen deixam de ser fabricados 800 carros por dia, na Renault 374 veículos e 400 motores e na Volvo 40 caminhões e seis ônibus por dia.
Ontem, os trabalhadores das três montadoras rejeitaram em assembléias uma nova proposta de reajuste apresentada pelo Sindicato Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Sinfavea) e mantiveram a paralisação. As empresas ofereceram R$ 400,00 de vale-mercado, 4,19% de elevação salarial em setembro e 0,78% em março do ano que vem. A proposta foi feita na quinta-feira, por telefone, às 21 horas, à diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, pelo Sindicato Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Sinfavea).
''Os trabalhadores aceitam a elevação salarial proposta pelas montadoras, mas querem também um abono de R$ 700,00'', informou o presidente do SMC, Sérgio Butka. A mobilização envolve aproximadamente 11 mil trabalhadores. A greve iniciou na quarta-feira na Renault e na Volks e quinta-feira na Volvo. Os trabalhadores só voltam a se reunir em assembléia na próxima segunda-feira.
Agora, como estratégia de negociação, o Sindicato dos Metalúrgicos vai parar de dialogar com o Sinfavea e partir para a negociação direto com as empresas. O diretor de recursos humanos da Renault, Carlos Magni, disse que, até a tarde de ontem, não tinha informação sobre o rompimento com o Sinfavea.
Segundo ele, a pauta inicial dos trabalhadores que pediam o INPC mais 5% de aumento real está além do que as empresas consideram possível efetuar e afetaria o grau de competitividade da Renault. Segundo ele, o aumento real de 2,09% oferecido já é um porcentual significativo e 70% acima da inflação.
A Renault produz motores e os modelos Clio, Scenic, Megane, Master e Frontier e tem 3.500 trabalhadores. Cerca de 85% da produção da montadora vai para o mercado interno. O restante é vendido para Argentina, Uruguai, Venezuela, Marrocos e Cuba. A Volkswagen tem 3,8 mil funcionários, produz o Fox, o Golf e o Audi A3, fabrica 810 veículos por dia - 60% ao mercado interno e 40% para América Latina e Europa. Já a Volvo tem 1,8 mil trabalhadores e produz, diariamente, de seis a oito ônibus e 32 a 35 caminhões. A fábrica vende 70% para o mercado interno e 30% para o México, Peru, Chile e Estados Unidos.


