O Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba e Região Metropolitana promete reagir se a direção nacional da Volkswagen tentar transferir para São Bernardo do Campo, no ABC paulista, a produção do projeto Tupi, previsto para ser fabricado na unidade de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana da Curitiba. ''Somos solidários com os companheiros do ABC paulista, mas não podemos deixar que levem nossos empregos'', disse o diretor de Educação do sindicato de Curitiba, Clemetino Tomás Vieira, que não soube estimar quantos postos de trabalho o Paraná perderia com a possível mudança. Ontem, a empresa recuou e dediciu suspender as três mil demissões anunciadas na quinta-feira da semana passada.

Na avaliação de Vieira, a fábrica da montadora em São José dos Pinhais tem uma estrutura enxuta, que já trabalha para implantação de uma plataforma de carro, dentro do projeto Tupi. ''A nossa fábrica é mais moderna do mundo, enquanto a de São Bernardo precisa ser modernizada'', disse.

Atualmente, a planta de São José dos Pinhais trabalha com 2,9 mil funcionários, enquanto que a da cidade paulista este número já atingiu a 50 mil empregados, com produtividade menor.

Vieira afirmou que o sindicato promete mobilizar a direção local e nacional da Volkswagen, caso haja mudanças no cronograma de investimento em São José dos Pinhais. ''Um assunto dessa importância tem que envolver a presidência da empresa e não pode ser discutida sem a presença do sindicato de Curitiba'', avisou.

A Folha procurou ontem, por telefone, um diretor da unidade de São José dos Pinhais, mas nenhum responsável foi encontrado na fábrica. Também a assessoria de imprensa da Volkswagen foi procurada, porém ninguém atendeu o telefone.

Em São Bernardo do Campo, a Volkswagen voltou atrás e decidiu suspender as três mil demissões que foram comunicadas por carta na quinta-feira da semana passada. O recuo é resultado das negociações mantidas pelo presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, e a direção mundial da Volkswagen, em Wolfsburg, na Alemanha.

Segundo Marinho, a suspensão total das demissões ainda depende da aprovação de um conjunto de medidas que terminarão de ser costuradas no final de semana entre os sindicalistas no Brasil. As medidas serão apresentadas para os 16 mil trabalhadores de São Bernardo às 5 horas de segunda-feira, durante uma assembléia que está marcada para acontecer no pátio da montadora.

O pacote que garante o emprego dos 16 mil funcionários de São Bernardo inclui mudança na tabela salarial, semana de quatro dias de trabalho e avaliação contínua de desempenho. Pelas regras do acordo, a Volkswagen se compromete a trazer para São Bernardo a produção da nova versão sedan do Polo. O veículo seria produzido inicialmente na fábrica da Volks na China. (Com Agência Folha)

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