Luiz Carlos Leite/Agência Estado
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Esforço conjuntoOs presidentes dos Sindicatos dos Metalúrgicos de Taubaté, Antônio Oliveira, e do ABC paulista, Luiz Marinho, com o secretário de Assuntos Trabalhistas de São Paulo, Walter Barelli: nova batalha por empregosO Sindicato dos Metalúrgicos do ABC começa hoje uma nova batalha para manter empregos. O presidente da entidade, Luiz Marinho, participa da primeira rodada de negociações com a direção da Ford para tratar da situação de 1,2 mil excedentes, do total de 7 mil funcionários da unidade do ABC. A Ford comunicou em dezembro que precisava fazer ajustes no seu quadro de pessoal. Só que desta vez Marinho quer envolvimento - ‘‘não interferência’’, disse - do governo federal. Ontem, em audiência com o governador Mário Covas, ele obteve promessa de que o governo do Estado vai tentar acertar a audiência com o presidente Fernando Henrique Cardoso.
‘‘Estamos fazendo a nossa parte, mas o governo federal tem de fazer a dele, com redução gradual de juros e mudanças na política econômica que permitam melhoria do mercado, pois do contrário o emprego será duramente golpeado’’, disse Marinho. Covas não deu entrevista. Mas o secretário estadual do Trabalho, Walter Barelli, deu sinais de que não apenas as indústrias metalúrgicas do ABC, mas o Estado de São Paulo todo, está sofrendo com as taxas de juros e o pacote fiscal.
A arrecadação média mensal do Estado é de R$ 1,4 bilhão. Segundo Barelli, em novembro houve queda de R$ 80 milhões e em dezembro de R$ 120 milhões. ‘‘Houve visível redução do nível de atividade em São Paulo, o que está trazendo dificuldades para o Estado cumprir seu papel’’.
Banco de dias O programa de demissões voluntárias na Ford, que permanece aberto, já conta com cerca de 200 adesões. Marinho vai propor ampliação do banco de horas, adotado em 1995 pela empresa. A exemplo do acordado com a Volkswagen, o sindicato aceita a fórmula do ‘‘banco de dias’’, ou seja, semana de quatro dias úteis enquanto o mercado estiver desaquecido, e de seis dias, de segunda a sábado, quando a produção precisar ser aumentada. Isso sem pagamento extraordinário, pois o salário permaneceria o mesmo, com redução ou aumento da carga semanal de trabalho.
O sindicalista não quis revelar outros pontos da negociação. ‘‘Vamos ver primeiro o que a Ford propõe’’, disse. Marinho teme que a Ford apresente pauta idêntica à da Volkswagen, que reduziu benefícios como o subsídio para alimentação e transporte, cortou pela metade adicionais de hora-extra, decidiu pagar a primeira parcela do décimo terceiro-salário apenas em junho (e não nas férias), acabou com o direito do empregado de tirar 10 dias de férias em dinheiro e outros pontos.
Na Ford, tais medidas não se justificariam, segundo o sindicalista, porque a empresa já se reestruturou nos últimos anos, chegando a demitir, gradativamente, quase a metade do efetivo que tinha no começo da década. Assim, com excedente menor, a possibilidade de empregados abrirem mão de direitos é mais reduzida.
Acordo O vice-presidente de Assuntos Corporativos e o diretor de Recursos Humanos da Volkswagen, Miguel Jorge e Fernando Tadeu Perez, estiveram ontem à tarde com o governador Mário Covas para anunciar oficialmente o acordo fechado com os sindicalistas na semana passada, para reduzir os custos da empresa. ‘‘Viemos agradecer ao governador’’, disse Miguel Jorge. Apesar de demonstrar satisfação com o acordo, os representantes da Volks disseram que ainda têm muito a fazer para aumentar a produtividade das fábricas.

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