Metalúrgicos protestam no ABC
Os metalúrgicos da fábrica da General Motors em São Caetano do Sul, no ABC paulista, paralisaram a produção ontem por cerca de quatro horas em protesto contra os aumentos nos preços dos automóveis, que entraram em vigor nesta semana. A General Motors emprega cerca de 8.700 funcionários em São Caetano do Sul e todos os metalúrgicos da produção ficaram do lado de fora da fábrica ontem pela manhã, segundo os organizadores da manifestação. A unidade da General Motors em São Caetano pertence à base de atuação da Força Sindical.
O protesto dos metalúrgicos da GM ocorreu um dia após a manifestação de aproximadamente 15 mil metalúrgicos ligados a CUT (Central Única dos Trabalhadores) no ABC paulista. Eles também protestaram contra os aumentos de preços anunciados pelas montadoras de automóveis, que ameaçam impedir a prorrogação do acordo emergencial do setor automotivo e, como consequência, a garantia de emprego dos metalúrgicos.
No protesto dos metalúrgicos ontem na GM, chegou a ocorrer um princípio de tumulto, quando os manifestantes foram impedidos de entrar na fábrica para pedir aos funcionários da montadora para saírem. Segundo o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, funcionários com cargos de chefia tentaram impedir a saída dos demais funcionários.
Invadimos pacificamente a fábrica e a chefia liberou os funcionários para participarem do protesto , afirmou o sindicalista. A General Motors divulgou nota dizendo que a manifestação foi pacífica e ordeira por parte das lideranças sindicais.
Nos discursos para os metalúrgicos, Paulinho disse que as montadoras já haviam concordado com a exigência do governo para reabrir negociações sobre a continuidade da redução do IPI dos automóveis, ou seja, as empresas haviam aceitado abrir suas planilhas de custos para justificar os aumentos nos preços dos carros. Na avaliação do sindicalista, ao aceitarem negociar com o governo, as montadoras vão ter que rever os aumentos de preços anunciados nesta semana.
As negociações entre trabalhadores, montadoras e o secretário de Política Industrial do Ministério do Desenvolvimento, Hélio Mattar, serão retomadas oficialmente na próxima terça-feira, em uma reunião na sede da Anfavea, em São Paulo. Até lá, os metalúrgicos da CUT e da Força Sindical não programaram novas manifestações. A Força tinha intenção de promover paralisações em fábricas de autopeças na próxima semana, em conjunto com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (CUT), presidido por Luiz Marinho.Marie Hippenmeyer/France PresseDefesa do empregoTrabalhador da GM em São Caetano do Sul, em assembléia que suspendeu a produção por 4 horasAgência Folha





