Cerca de 200 metalúrgicos do ABC fizeram ontem um protesto na sede da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea), em São Paulo, pedindo mais empenho da indústria automobilística para que haja a renovação do acordo de emergência para o setor, que reduziu impostos para veículos, aumentou vendas e manteve empregos. Enquanto os metalúrgicos faziam seu ato público, as montadoras estavam preparando listas com os novos preços dos veículos. À tarde, o governador Mário Covas comprometeu-se a procurar as empresas para tentar demovê-las de efetuar os aumentos, antes de uma negociação mais ampla, segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho.
Por ‘‘empenho da indústria’’, Marinho queria fazer uma trégua de pelos menos duas semanas em relação a preços, já que o governo federal reluta em negociar a prorrogação do acordo ante reajustes que chegaram a quase 10%. Segundo sindicatos envolvidos, estão em jogo perto de cinco mil empregos diretos nas montadoras de automóveis do ABC e outros 15 mil nas indústrias de componentes em São Paulo. O cálculo é parcial.
Mas, ao mesmo tempo em que a manifestação acontecia, a General Motors (empresa na qual o presidente da Anfavea, José Carlos Pinheiro Neto, trabalha) enviava para a rede de revendedores as tabelas com os novos preços dos veículos, reajustados em até 9,6%. Marinho considerou a atitude como ‘‘irresponsabilidade’’ do setor. Mas disse que não vai desistir de provocar uma negociação séria entre governo, trabalhadores e indústria.
O governo considerou ‘‘exagerado’’ o aumento de preço anunciado ontem pelas montadoras. ‘‘Não posso dizer que o aumento é abusivo, mas parece exagerado’’, disse o secretário de Política Industrial do Ministério do Desenvolvimento, Hélio Mattar, que representou o governo nas negociações com montadoras e sindicatos do setor automobilístico.

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